Cerca de 60% de infetados pelo VIH/Sida estão em tratamento no Brasil


 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Jul de 2017, 13:55

Cerca de 60% das pessoas infetadas com o VIH/Sida receberam tratamento antirretroviral no Brasil em 2016, de acordo com o relatório do programa da ONU para o combate à sida (ONUSIDA).

Em 2016, no Brasil, cerca de 60% das pessoas infetadas pelo VIH recebiam tratamento antirretroviral e das pessoas infetadas com VIH em tratamento, 89% apresentaram supressão viral, de acordo com o relatório da ONUSIDA "Acabar com a sida, o progresso rumo às metas de 90-90-90".

De acordo com o documento, o Brasil está entre os países que poderão acabar com a ameaça da sida à saúde pública até 2030, segundo os objetivos fixados pela organização.

A aprovação de uma regulamentação para a medicação antirretroviral e para a profilaxia foi garantida por 50 países até junho de 2017, mas apenas 15 países, entre os quais o Brasil, estabeleceram efetivamente programas em escala para este fim.

Na América Latina, há dificuldades de acesso ao tratamento antirretroviral, nomeadamente devido aos altos custos que implicam para os Governos locais.

A ONUSIDA elogiou, no entanto, o Brasil pelo seu programa para o combate à sida.

O Brasil emitiu uma licença compulsória para o medicamento Efavirenz em 2007, que foi utilizada por um terço de brasileiros que estavam em tratamento através de um programa nacional.

Após a licença ter sido emitida, o preço da versão genérica do medicamento importado caiu de 1,60 dólares por dose para 0,45 dólares por dose. No final de 2016, 87% de todas as pessoas em tratamento no país usavam Efavirenz.

O número anual de novas infeções por VIH em adultos na América Latina manteve-se estável desde 2010, cerca de 96.000 novas infeções ocorreram em 2016, em comparação com 94.000 em 2010. Foram estimadas 1.800 novas infeções do VIH em crianças. Em 2016, a maioria destes casos estavam na Venezuela, Brasil e Guatemala.

Cerca de 90% das novas infeções em 2016 na América Latina ocorreram em sete países, com quase metade das ocorrências (49%) no Brasil.

Trinta e uma cidades brasileiras, entre as quais São Paulo, Campinas, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre, Manaus e Fortaleza já assinaram a Declaração de Paris para o Fim da Epidemia da Sida, numa iniciativa da ONUSIDA, que ocorreu em 2014 na capital francesa.

Atualmente, 200 cidades e municípios assinaram esta declaração, comprometendo-se a atingir os objetivos da ONUSIDA até 2020 para enfrentar as disparidades no acesso aos serviços sociais e de saúde, para mais oportunidades económicas e ainda o fim da sida como ameaça à saúde pública até 2030.

O número de mortes relacionadas com a sida na América Latina diminuiu de forma constante, 12% entre 2000 e 2016, apesar dos dados menos bons em países como a Bolívia, Guatemala, Paraguai e Uruguai.

Em 2000, morreram na região cerca de 43.000 pessoas, em comparação com 36.000 em 2016, um declínio verificado a partir do aumento da disponibilidade de tratamentos antirretrovirais.

A ONUSIDA revelou que a quantidade de pessoas com o VIH com acesso aos tratamentos antirretrovirais quase dobrou em seis anos (58% de todas as pessoas infetadas), de 511.700 pessoas em 2010 para um milhão em 2016, o que coloca a região acima da média mundial (53%).

De acordo com o relatório, um milhão de pessoas no mundo morreram de problemas ligados ao VIH/Sida no ano passado, o que significa cerca de metade das mortes em relação a 2005.

A agência da ONU considera que foi atingido um “ponto de viragem", com mais de metade dos doentes no mundo em tratamento e com uma contínua diminuição das novas infeções por VIH/Sida.




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