Cerca de 36% dos imigrantes que vivem nos Açores estão em Ponta Delgada

Cerca de 36% dos imigrantes que vivem nos Açores estão em Ponta Delgada

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Jul de 2014, 08:57

No concelho de Ponta Delgada vivem imigrantes de mais de 60 nacionalidades, representando cerca de 36% do total da população estrangeira residente nos Açores, cujo principal problema hoje é o desemprego, devido à crise na construção civil.

Vivem hoje nos Açores mais de 3.600 imigrantes, "grande parte" dos quais "veio para trabalhar para a construção civil", segundo o presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA).

"O esforço que estamos a tentar fazer, em conjunto com outras entidades, situa-se a dois níveis, no sentido de garantir apoio a situações de emergência e fazer com que possam ter outra mobilidade profissional, que passa também por dar estas competências profissionais a estes imigrantes”, disse Paulo Mendes, em declarações à agência Lusa.

Paulo Mendes disse que esta tem sido "a principal preocupação aqui também em Ponta Delgada", que "resulta de uma situação estrutural", mas que "afeta de uma forma particular a população imigrante que reside no concelho".

A maior cidade açoriana assinala na sexta-feira o Dia Municipal do Imigrante e do Diálogo Intercultural, instituído pela autarquia em 2013, na sequência de uma sugestão apresentada pela AIPA, através do CLAII, com o objetivo de dar visibilidade aos imigrantes residentes no concelho e valorizar a multiculturalidade que existe em Ponta Delgada.

Leoter Viegas, coordenador do Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII), frisou que "há quatro ou cinco anos, o maior problema era a questão da legalização".

“Hoje em dia, isto já não se coloca em grande número e o problema aqui é a questão do desemprego e a precariedade económica. Alguns imigrantes não recebem ou RSI ou subsídio e o apoio social é crucial aqui para minimizar a situação”, salientou, acrescentando que o CLAII conta com espaços em Ponta Delgada (ilha de São Miguel) e Angra do Heroísmo (Terceira).

Na maior cidade açoriana, faz "uma média de 25 a 30 atendimentos por mês e, basicamente nos últimos dois anos, tem sido procurado exatamente na área de apoio social".

Segundo Leoter Viegas, o concelho acolhe hoje "imigrantes de mais de 60 países diferentes" e daí a importância de institucionalizar este dia.

O Dia Municipal do Imigrante e do Diálogo Intercultural em Ponta Delgada vai ser assinalado este ano na sexta-feira com uma conferência sobre “Migrações, Interculturalidade e Políticas Públicas Municipais”, por José Malheiros.

Uma conferência, no Centro Cívico e Cultural de Santa Clara, que conta também com o apoio do Fundo Europeu para a Integração de Nacionais em Países Terceiros (FEINPT), Governo da República e Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural (ACIDI), segundo a Câmara Municipal de Ponta Delgada.

A autarquia instituiu o 15 de julho como Dia Municipal do Imigrante e do Diálogo Intercultural.

Paulo Mendes sublinhou a importância das autarquias "assumirem também, enquanto poder local, a responsabilidade de desenvolver políticas ativas de integração dos imigrantes".


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