Centros de investigação europeus preocupados com "cortes no orçamento" para a ciência

Centros de investigação europeus preocupados com "cortes no orçamento" para a ciência

 

Lusa/AO online   Nacional   19 de Fev de 2015, 16:46

Treze centros de investigação europeus na área das ciências da vida, incluindo o Instituto Gulbenkian de Ciência, manifestaram a sua preocupação pelos "cortes no orçamento" para a ciência, que "podem comprometer a competitividade europeia".

 

Em comunicado, a aliança EU-LIFE, que agrega os 13 centros, refere que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, decidiu transferir 2,7 mil milhões de euros do Horizonte 2020, programa de incentivo à inovação e ciência para 2014-2020, para o financiamento de novos projetos de inovação no quadro do Fundo Europeu de Investimentos Estratégicos.

Segundo a nota, "uma parte significativa desse dinheiro virá do pilar 'Excelência Científica'" do Horizonte 2020, que "pode perder 544 milhões de euros para o Fundo Europeu de Investimentos Estratégicos", sendo que, no financiamento do Conselho Europeu de Investigação, que apoia a ciência de excelência, "está previsto um corte de 221 milhões de euros", a maior parte em 2016 e 2017.

Os 13 centros de investigação europeus consideram que, "se os cortes no orçamento do Horizonte 2020 forem efetivamente estabelecidos, podem comprometer irreparavelmente a recém-adquirida competitividade europeia", sendo "um desastre para a investigação e inovação europeias, numa altura em que China, Brasil, Coreia, Índia estão a investir massivamente em investigação e desenvolvimento".

Para o diretor do Instituto Gulbenkian de Ciência, Jonathan Howard, "a soma retirada ao orçamento do Conselho Europeu de Investigação, através do plano Juncker, podia financiar cem bolsas, a maioria para jovens cientistas".

As bolsas do Conselho Europeu de Investigação, sustentou, "são o único instrumento público que consegue apoiar ciência de classe mundial nas franjas empobrecidas da Europa, uma comunidade com recursos escassos e em grande desvantagem relativamente ao núcleo Europeu próspero".

O programa Horizonte 2020 tem inscritos 80 mil milhões de euros, incluindo 13,1 mil milhões de euros para o Conselho Europeu de Investigação.

O Ministério da Educação e Ciência, confrontado pela Lusa, recusou-se a comentar o teor do comunicado.

A Lusa pediu também uma reação ao comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, mas até ao momento não foi possível obtê-la.

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