Centro interpretativo da cerâmica nos Açores vai ser instalado na fábrica Vieira

Centro interpretativo da cerâmica nos Açores vai ser instalado na fábrica Vieira

 

LUSA/AO online   Regional   9 de Jan de 2017, 13:30

O centro interpretativo da cerâmica na Lagoa, Açores, vai ser instalado na centenária fábrica Vieira, estando as obras de adaptação do espaço previstas começar este ano, disse hoje a presidente da autarquia local

"Neste momento ainda estamos na fase de realização do projeto de arquitetura e parte museológica, pelo que ainda não consigo estimar custos”, afirmou à agência Lusa Cristina Decq Mota, garantindo que “as obras arrancam em 2017, mas não ficam concluídas”.

Mais de um milhar de pequenas figuras em barro, feitas ao longo de anos por diferentes bonecreiros do concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, constituem o acervo do centro interpretativo, que já foi designado como Museu do Presépio açoriano.

Inaugurado em 1996, este museu funcionou primeiro no edifício dos Paços do Concelho, transitando depois para a Casa de Cultura Carlos César, com o objetivo de valorizar a atividade criativa dos bonecreiros da Lagoa, mas acabou por encerrar há vários anos e as peças estão “devidamente guardadas”, salientou a autarca.

“Por uma questão de circulação de viaturas, [a Casa da Cultura] não se mostrou viável. Foi pensado para o Convento dos Franciscanos e agora, através da Associação Histórias Sábias e a câmara, conseguimos um acordo com os proprietários da fábrica Vieira no sentido das peças ficarem lá instaladas, num espaço que estava desaproveitado”, revelou Cristina Decq Mota.

Segundo disse a presidente da autarquia, o centro interpretativo vai ficar numa zona da fábrica que estava dedicada à produção de telhas, já desativada, não havendo qualquer contrapartida financeira para os proprietários do imóvel.

“Vai ao encontro daquilo que desejamos, que é potenciar o que temos de bom na nossa cultura, dando-a a conhecer aos turistas”, considerou Cristina Decq Mota, destacando que a fábrica é local de paragem obrigatória para os turistas que visitam a ilha de São Miguel.

Para a autarca, o ciclo ficará completo com este projeto, pois os turistas poderão ver a laboração da loiça, comprá-la na fábrica e visitar, no mesmo espaço, a parte museológica desta tradição.

A produção de figuras de presépio na Lagoa começou na segunda metade do século XIX, com a abertura das fábricas de cerâmica, mantendo-se ainda hoje a mesma técnica artesanal de fabrico destes bonecos natalícios.

O processo de fabrico das figuras bíblicas e do quotidiano do arquipélago passa por várias etapas, desde modelagem, paramento, pintura e cozedura.

A fábrica de cerâmica Vieira, fundada por Bernardino Silva, em 1862, produz louça decorativa e azulejos, entre outras peças, sendo a sua obra vulgarmente conhecida por "louça da Lagoa”.


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