Centrais sindicais querem mais medidas para combater desemprego no Plano e Orçamento dos Açores

Centrais sindicais querem mais medidas para combater desemprego no Plano e Orçamento dos Açores

 

Lusa/AOnline   Regional   11 de Set de 2015, 12:10

As duas centrais sindicais, CGTP e UGT, manifestaram esta sexta-feira preocupação com o desemprego nos Açores e consideraram "urgente" que o Plano e Orçamento do arquipélago para 2016 contemple mais medidas efetivas para combater o problema.



“A primeira [preocupação] é efetivamente o desemprego, não só jovem mas acima de tudo o desemprego das pessoas com mais de 45 anos, que por um lado são consideradas velhas para entrar no mercado de trabalho, mas por outro são demasiado jovens para a reforma”, afirmou o dirigente da CGTP nos Açores, Vítor Silva, acrescentando ser “fundamental, numa região onde o desemprego é elevado, que todos os parceiros sociais se concentrem no combate a este problema”.

Vítor Silva falava à saída de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, que está hoje a receber, no Palácio de Santana, em Ponta Delgada, os parceiros sociais e os partidos políticos no âmbito da preparação do Plano e Orçamento para o próximo ano.

O sindicalista referiu ainda ter apresentado como preocupações da CGTP a necessidade de aumento dos rendimentos dos trabalhadores nos Açores, dado que “em média um trabalhador açoriano ganha menos 86 euros do que outro no resto do país”, de criação de trabalho com direitos efetivos e de uma aposta clara das empresas na formação profissional, pois “um trabalhador mais qualificado pode ser mais produtivo”.

Para Vítor Silva, através do aumento do rendimento dos trabalhadores e do combate à precariedade laboral é possível reduzir o desemprego na região. O responsável remeteu outras propostas concretas para um documento escrito que a CGTP vai apresentar na reunião do Conselho de Concertação Estratégica.

O vice-presidente da UGT/Açores, António Ferreira, desafiou o governo açoriano a baixar a taxa dos impostos sobre o valor acrescentado (IVA) e sobre o rendimento coletivo (IRC) em 2016 para dar às famílias e às empresas “mais capital” e desde modo atrair novas empresas para o arquipélago, criando mais emprego sustentável.

“Fizemos um desafio ao governo para que já no próximo ano, no Orçamento da região, fossem repostos na totalidade os 30% do IVA e IRC. Se houvesse essa baixa, de certeza que isso iria traduzir-se nas empresas em mais capital e era um ótimo incentivo para que outras empresas fora da região viessem aqui fixar-se”, disse António Ferreira, lembrando que os indicadores económicos da região são “favoráveis”.

António Ferreira defendeu ainda a aposta em mais qualificação profissional e na requalificação da habitação urbana para incentivar as empresas de construção civil a readmitir mão-de-obra atualmente desempregada.

O presidente da Federação das Pescas nos Açores, também recebido por Vasco Cordeiro, defendeu ser “urgente” implementar uma regulamentação do fundo europeu para os assuntos marítimos e da pesca, dado que o atraso no pagamento dos apoios “tem causado transtornos dentro do setor”.

Gualberto Rita insistiu também na necessidade de o próximo Plano e Orçamento contemplar medidas que possam aumentar o rendimento dos pescadores açorianos e regulamentar o número de embarcações e pescadores em cada ilha, por serem “nove realidades distintas”.

A Federação Agrícola dos Açores, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores e os partidos políticos com assento na Assembleia Legislativa (PCP, BE, CDS-PP, PSD e PS) serão ouvido no período da tarde, com exceção do PPM, que “recusou estar presente”, segundo o executivo.

No final do mês realizar-se-á uma reunião do Conselho Regional de Concertação Estratégica para análise das propostas de Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2016, seguindo-se a sua aprovação em Conselho do Governo e apresentação no parlamento dos Açores, no início de novembro.



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