Centrais de biomassa nas zonas afetadas eram "boa decisão"

Centrais de biomassa nas zonas afetadas eram "boa decisão"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   28 de Jun de 2017, 18:36

O ministro da Agricultura defendeu, na Assembleia da República, que seria uma boa decisão implementar centrais de biomassa para a produção de energia nos concelhos do Centro do país afetados pelos incêndios.

“A localização vai ser decidida pelo Ministério da Economia, mas penso que seria uma boa decisão instalar alguma ou algumas nas zonas que acabam de ser afetadas pelos incêndios”, defendeu Luís Capoulas Santos, na comissão parlamentar de Agricultura.

O governante referiu que uma das medidas do pacote legislativo da reforma da floresta é a criação de centrais de biomassa para “financiar até 60 Megawatt em pequenas centrais, que podem ser de cinco MW, e que serão atribuídas às câmaras municipais".

“O que está por definir pelo secretário de Estado da Energia é se vai financiar a central ou se vai financiar os produtores que entreguem material lenhoso na central”, informou o governante, revelando a sua preferência pelo financiamento dos produtores.

Questionado na terça-feira sobre a aposta em centrais de biomassa, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, lembrou que entrou em vigor "há três semanas" um regime "mais ágil" para a instalação pelos municípios de centrais de valorização de biomassa, que usem matéria orgânica para produzir energia, com medidas de incentivo à instalação como medida de defesa e preservação da floresta, de ordenação do território e de combate aos incêndios.

A criação de centrais de biomassa, atribuindo aos municípios potências disponíveis para produzir energia a partir de biomassa florestal residual, com preços apoiados, foi aprovada pelo Governo, em Conselho de Ministros, em 21 de março, e está em vigor desde 13 de junho.

Segundo o regime extraordinário, a localização e a potência das centrais terá em conta a proximidade com zonas críticas de incêndio ou com povoamentos florestais e a proximidade em relação a outras centrais de biomassa florestal ou outras indústrias do setor florestal, consumidoras de biomassa florestal.

Outros dos fatores de peso na escolha da localização das centrais é a possibilidade de implantar, preferencialmente, em zonas ou parques industriais, áreas de localização empresarial ou outras zonas que permitam ou propiciem, complementarmente, o aproveitamento da energia térmica.

Em 2006 foram lançados procedimentos de concurso público para construir e explorar centrais de biomassa florestal residual, mas a iniciativa privada deixou por instalar 50% da potência de injeção então colocada a concurso e que agora o Governo quer atribuir.

A concreta potência de injeção a atribuir a cada central tem de ser solicitada à Direção-Geral de Energia e Geologia, dentro dos limites máximos definidos.

Os incêndios que deflagraram há uma semana, na região Centro, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.


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