Centenas de sensores contribuem para vigilância sismovulcânica nos Açores

Centenas de sensores contribuem para vigilância sismovulcânica nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Set de 2017, 09:32

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) recebe em permanência dados de centenas de sensores espalhados pelo arquipélago, que constituem as redes de monitorização sísmica, geodésica, geoquímica e meteorológica.


Associação privada sem fins lucrativos, que em 2018 completa dez anos de existência, o CIVISA tem dois associados, a região autónoma e a Universidade dos Açores, em cujo polo de Ponta Delgada está instalada a sua sede e o seu centro de operações de emergência.

À agência Lusa, a presidente da direção do CIVISA, Teresa Ferreira, explicou hoje que este centro foi desenhado “para poder gerir todas as situações relacionadas com eventos naturais que podem ter consequências adversas para a população dos Açores”.

“Esses eventos podem ser de naturezas distintas, eventos sísmicos, vulcânicos, movimentos de vertente, emissões gasosas e, como tal, é uma sala que está equipada para se poder não só analisar a informação que é gerada por todas as redes de monitorização, e adquirida também por outros tipos de monitorização que vamos fazendo”, afirmou Teresa Ferreira.

O espaço também permite ter vários tipos de sistemas de comunicação com a Proteção Civil e para poder manter contacto com as autoridades e entidades governamentais.

A presidente do CIVISA adiantou que o arquipélago dos Açores está localizado numa região do Atlântico “propícia a ser frequentemente afetada por eventos de origem natural que podem, se tiverem magnitudes significativas, causar danos”.

“Porque estamos próximos e sobre, nalguns casos, uma zona de fronteira de placas tectónicas, obviamente que logo o primeiro tipo de evento natural que nos pode afetar é a atividade sísmica”, adiantou, referindo que os Açores estão igualmente “numa região oceânica anómala do ponto de vista de produção magmática”, pelo que, ocasionalmente, são “afetados por erupções vulcânicas”.

Acresce que o arquipélago está numa região “onde se faz uma transição na circulação de massas de ar quentes e frias”, sendo que, por vezes, é afetado “por eventos meteorológicos extremos que podem desencadear movimentos de vertente” e cheias rápidas, realçou.

“Nesse sentido, utilizamos uma rede meteorológica constituída por estações do CIVISA e do Governo Regional, não destinada a fazer previsão, mas uma rede que nos fornece dados principalmente sobre a quantidade de precipitação que ocorre e as condições nas quais essa precipitação pode vir a desencadear movimentos de vertente”, informou a docente universitária, explicando que este “é um dos perigos que mais frequentemente atingem as ilhas do arquipélago e que podem colocar as populações em risco”.

As nove ilhas dos Açores são de origem vulcânica. Existem no arquipélago 26 vulcões e sistemas vulcânicos ativos, oito dos quais submarinos. Santa Maria é a única ilha que não tem vulcões ou sistemas vulcânicos ativos.

Um vulcão ou sistema vulcânico ativo é aquele que tem potencial para entrar em erupção” ou que registou atividade nos últimos dez mil anos.

“Atualmente está tudo sereno, não podemos dizer o que vai acontecer amanhã, porque não sabemos”, referiu Teresa Ferreira, quando questionada sobre se algum indicia entrar em atividade.

A responsável salientou que “a ocorrência de um sismo não pode ser prevista, contudo em períodos de instabilidade sísmica pode ter-se uma atitude preventiva suplementar àquela” usada no dia a dia.

Alguns dos sismos mais significativos nos Açores, observou, ocorreram exatamente durante períodos das designadas crises sísmicas.

“Sempre que existe atividade sísmica que sai fora dos padrões normais e se essa se localiza próxima da linha da costa e, principalmente, no interior das ilhas - por isso, quer dizer que os epicentros são muito próximos de núcleos habitacionais -, emitimos comunicados à Proteção Civil, porque aí basta um sismo com uma magnitude ligeiramente superior para poder vir a ser sentido pela população ou para poder vir a ter alguns danos”, assinalou.

Quanto às erupções vulcânicas, “a instabilidade no edifício vulcânico pode ser colocada em evidência através da monitorização da sismicidade local ou da deformação crustal ou até da alteração de parâmetros químicos nas nascentes ou nas águas e nas emissões gasosas”.

As redes de monitorização podem dar a indicação de que algo está em mudança, pelo que autoridades e população podem ser alertadas para a ocorrência de uma eventual erupção para serem tomadas medidas preventivas.

 



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