Centenário da revista Orpheu assinalado em São Paulo com congresso, mostra e filme

Centenário da revista Orpheu assinalado em São Paulo com congresso, mostra e filme

 

Lusa / AO online   Nacional   23 de Mai de 2015, 11:44

As comemorações dos cem anos da revista Orpheu, no Brasil, têm início na segunda-feira, em São Paulo, e, além do Congresso 100 Orpheu, congregam uma exposição sobre a revista, a exibição de um filme e uma festa.

 

O Congresso Luso-Brasileiro 100 Orpheu realiza-se em São Paulo, na próxima semana, nos dias 25 a 28 de maio, com investigadores de diversos países que se reunirão em cinco conferências, 18 mesas de debate e dez sessões de comunicação, sobre a experiência modernista portuguesa e outros temas ligados à publicação surgida em março de 2015 e aos seus autores.

A revista Orpheu, na qual participaram nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, teve dois números publicados, o primeiro, em finais de março de 1915, e o outro, em julho desse ano. É entendida como a revista fundadora do modernismo português.

Dentro do congresso, em São Paulo, haverá a exibição do filme "Conversa Acabada" (1981), primeira longa-metragem do realizador João Botelho, que trata do encontro de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, num panorama de crise política e moral da sociedade portuguesa, em vésperas de entrada na Grande Guerra de 1914/18 e do suicídio do autor de "A confissão de Lúcio".

O investigador Fernando Cabral Martins, professor do Departamento de Estudos Portugueses da Universidade Nova de Lisboa, que assumiu o papel de Fernando Pessoa no filme, é um dos conferencistas do congresso e vai participar num debate sobre a obra.

A presidente da comissão organizadora do congresso no Brasil, Lilian Jacoto, disse à Lusa que o evento terá a mesma estrutura do congresso que se realizou em Portugal, há dois meses: "Estamos procurando dar tempo para falar e discutir, numa tentativa de retomar uma conversa mais alongada".

"A revista teve influência sobre o modernismo brasileiro. No ensino da literatura portuguesa, ela é abordada como uma das revoluções artísticas importantes, por conta dos nomes que envolve - todos autores de grande peso para a modernidade e para a contemporaneidade", afirmou Jacoto.

A investigadora da Universidade de São Paulo, onde vai decorrer o congresso, destacou igualmente à Lusa a exposição que vai ser inaugurada em simultâneo, como um complemento ao evento, porque a discussão sobre Orpheu se estende às artes plásticas.

A mostra será inaugurada na terça-feira, e inclui documentos de época, publicações contemporâneas, cartas, manuscritos e arquivos digitais da revista.

O congresso acaba na quinta-feira, dia 28, mas a programação em homenagem aos cem anos da revista vai prosseguir na sexta-feira, com uma festa - um sarau de poesia -, na Casa das Rosas, na avenida Paulista.

A primeira etapa do congresso arrancou a 19 de março, no Porto, seguindo-se, pouco depois, de 24 a 28 de março, um encontro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O debate sobre o impacto de Orpheu culmina agora no encontro da Universidade de São Paulo.

Na abertura do primeiro encontro, no Porto, o professor Arnaldo Saraiva, especialista do modernismo brasileiro e do modernismo português, disse à Lusa que “Orpheu foi uma rutura na cultura portuguesa". "Mais do que uma revista, foi um movimento que se tornou memorável e, tal como disse Fernando Pessoa, apesar de extinto, tornou-se inextinguível, porque se tornou um símbolo, um paradigma e até mesmo um mito".

Por isso, afirmou, "há nele uma força permanente, uma energia capaz de estimular criatividade e a reflexão constante sobre a literatura e a cultura portuguesas ou sobre as exigências da plenitude criativa”.

O Congresso Internacional do Centenário de Orpheu é organizado em parceria pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com o Laboratório de Estudos de Poéticas e Ética na Modernidade, da Universidade de São Paulo. No Brasil, conta ainda com o apoio da Embaixada de Portugal e do Instituto Camões.


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