Censura começa a limitar acesso a informação sobre trágica debandada em Xangai

Censura começa a limitar acesso a informação sobre trágica debandada em Xangai

 

Lusa / AO online   Internacional   3 de Jan de 2015, 11:02

A debandada, ocorrida na noite de passagem de ano, em Xangai, que resultou em 36 mortos, começou a ser censurada pelas autoridades da metrópole chinesa que limitaram acesso por parte dos familiares das vítimas aos 'media' estrangeiros.

 

O departamento de propaganda do Partido Comunista da China emitiu ainda várias notificações dirigidas aos meios de comunicação locais, em que proíbe a utilização de fotografias em que sejam mostradas homenagens às vítimas, e também sobre como se deve obter informação sobre o acidente, escreve hoje o jornal South China Morning Post.

As autoridades começaram também a colocar sob vigilância os familiares das vítimas e pedem autorizações especiais aos ‘media’ estrangeiros que pretendam entrevista-los, de acordo com o jornal de Hong Kong.

Observadores apontam já a possibilidade de haver vítimas políticas devido ao trágico incidente, ocorrido cerca das 23:30 (15:30 de quarta-feira em Lisboa) numa praça da concorrida zona do "Bund", a marginal neoclássica da cidade, onde milhares de pessoas, a maioria jovens, se preparavam para celebrar a entrada no novo ano.

Os obstáculos colocados à informação – frequentes na China quando há acontecimentos que as autoridades consideram politicamente “sensíveis” – surgem ao mesmo tempo que vão crescendo as críticas de má gestão por parte do governo local.

A polícia de Xangai admitiu não ter previsto que a noite de passagem de ano iria atrair tanta gente (cerca de 300 mil pessoas).

As causas do incidente, que além de 36 mortos fez 49 feridos, ainda estão por apurar.

Informações iniciais, com base no relato de testemunhas, apontavam que a confusão tinha sido desencadeada pelo lançamento de cupões, que pareciam notas de dólar, da janela de um edifício na zona do “Bund”.

Contudo, essa teoria foi entretanto descartada pelas autoridades. Prospetos promocionais de um espaço noturno foram efetivamente lançados, mas a cerca de 60 metros de distância e 12 minutos depois da trágica debandada, segundo a polícia de Xangai.

“Isto aconteceu depois da debandada”, informou em comunicado, citando imagens de videovigilância.

Por outro lado, foram detetadas falhas por parte do governo municipal em adotar medidas de prevenção de grandes aglomerações, apesar de em anos anteriores se terem concentrado na mesma zona e na mesma altura centenas de milhares de pessoas.

A título de exemplo, não foram encerradas as estações de metro mais próximas, o que, segundo as investigações preliminares, poderia ter sido decisivo no controlo da multidão.

As autoridades alegam que este ano as medidas eram mais flexíveis, porque foram suspensos muitos eventos organizados em passagens de ano anteriores, tais como um espetáculo de fogo-de-artifício e um outro de luzes, que iluminava os arranha-céus da cidade, precisamente com vista a uma menor afluência.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.