CDS quer saber onde estava quem reclama valores de Abril quando país foi à bancarrota


 

Lusa/AO Online   Nacional   25 de Abr de 2015, 11:53

O deputado do CDS-PP Michael Seufert defendeu hoje que é legítimo perguntar àqueles que nos últimos quatro anos se insurgiram contra alegadas traições à revolução dos cravos, não onde estavam no dia 25 de Abril, mas onde estavam "quando Portugal foi conduzido à bancarrota".

"Se nos últimos quatro anos ouvimos de forma quase-habitual vozes que vinham reclamar a ‘pureza de Abril', os ‘valores de Abril' ou chegaram até a apontar um dedo aos que, diziam eles, ‘traíam' Abril, então é legítimo perguntar-lhes não ‘aonde é que tu estavas no 25 de Abril?' mas ‘onde é que tu estavas quando Portugal foi conduzido à bancarrota?'", defendeu.

Numa intervenção de cerca de 12 minutos, o deputado do CDS-PP disse pertencer a uma geração a quem a dívida limitou a liberdade.

Michael Seufert afirmou que, não tendo vivido "os tempos da revolução", agradece "o legado da democracia" mas há "uma herança" que "bem dispensaria": "a herança da dívida pública".

"Empurrada com a barriga porque sucessivos governos se dispensaram de governar com o que tinham e fizeram questão de governar com o dinheiro da geração seguinte. Essa dívida, durante muito tempo a conhecida e a escondida, vinha em galopante crescendo e limita - e muito! - a liberdade da minha geração e das seguintes", sustentou.

"E ao ouvir aqueles que a contraíram queixar-se da ‘troika' que trouxeram e reclamar contra austeridades que criaram, apetece responder ‘não devia ter sido para isso que se fez o 25 de Abril", disse.

O deputado centrista afirmou que "o regime saído do processo revolucionário de 1974 e 75 está estabelecido, consolidado e integra o concerto das nações livres", e que isso deve ser comemorado, mas sem esquecer que nos últimos 41 anos houve três bancarrotas.

Michael Seufert lembrou as eleições para a Assembleia Constituinte, há 40 anos, e a Lei Fundamental, relativamente à qual o CDS votou contra, mas de que enalteceu as virtudes em "matéria de direitos, liberdades e garantias".

"Mas há um direito que a Constituição não soube garantir na sua necessária abrangência, que é o direito de uma geração a tomar democraticamente as rédeas do país sem ter de estar limitada - eu diria mesmo impedida - pelas despesas, dívidas e projetos do passado e com isso impedida também de ser inteiramente dona do seu destino", argumentou.

Michael Seufert disse que, para a sua geração, "mais dívida é menos liberdade, mais défice é menos oportunidade".

"Certo é que, mesmo com todos os defeitos que encontramos na nossa democracia - e é sempre mais fácil apontar defeitos do que virtudes - ela é a que nos dá ferramentas para não repetir os erros do passado e limitar a ação dos governos para que nunca mais tenhamos de enfrentar a bancarrota e o difícil caminho que é sair dela", sustentou.

"Saibamos fazer esse trabalho e esse debate para que, independentemente do que está na cabeça de cada um de nós quando pensamos ‘porque é que se fez o 25 de Abril', possamos deixar um país melhor aos nossos filhos do que aquele que encontrámos. Tenho a certeza que era o que também queriam os capitães de Abril", defendeu.


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