CDS-PP diz que Governo açoriano intimidou administração do hospital da Terceira

CDS-PP diz que Governo açoriano intimidou administração do hospital da Terceira

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Dez de 2014, 16:12

O líder do CDS-PP/Açores acusou hoje o secretário regional da Saúde de ter intimidado o conselho de administração do hospital da Terceira ao ponto de ele se demitir, mas Luís Cabral negou ter tido interferência nesse processo.

Artur Lima, que falava no parlamento dos Açores, na cidade da Horta, durante um debate de urgência sobre o Serviço Regional de Saúde (SRS) pedido pelo CDS-PP, considerou que o Governo Regional não geriu bem o caso do alegado mau funcionamento da Unidade de Cuidados Intensivos do hospital da Terceira.

Em fevereiro, os enfermeiros da unidade de cuidados intensivos do hospital entregaram um abaixo-assinado à administração, alertando para a "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras irregularidades.

Em outubro, foi aberto um inquérito interno, depois de o caso ter sido noticiado na comunicação social local, e no mês passado, o conselho de administração do hospital demitiu-se em bloco.

"É ou não verdade que o senhor pegou no relatório do instrutor e mandou para avaliação do inspetor regional de Saúde? E que pegou nesses dois documentos e mandou-os para o conselho de administração, em género de ameaça, o que levou a que uma pessoa se demitisse?", questionou hoje o líder do CDS-PP/Açores.

O deputado acusou ainda o titular da pasta da Saúde nos Açores de ter "aproveitado" a demissão de um dos elementos do conselho de administração para "demiti-los a todos", e sugeriu que, perante esta "intimidação", o secretário regional se demita.

"Sente-se confortável nesse lugar senhor secretário regional? Não sou eu que vou pedir a sua demissão. Já o fiz, várias vezes, no passado. Agora, a decisão está na sua consciência", afirmou.

Na resposta, o secretário regional da Saúde afirmou que não enviou nenhum relatório ao conselho de administração, até porque um dos inquéritos ao caso tinha sido efetuado pelos próprios administradores do hospital.

"Faz muito pouco sentido que o secretário envie um inquérito ao conselho de administração, quando o inquérito tinha sido feito pelo próprio Conselho de Administração", explicou Luís Cabral, considerando as críticas do CDS "um contrassenso".

O governante disse também que não demitiu ninguém, apenas aceitou um pedido de demissão.

José San-Bento, do PS, preferiu destacar as qualidades de Paula Moniz, a nova presidente do conselho de administração do hospital, entretanto nomeada pelo Governo Regional.

"É uma dama de ferro. É uma pessoa que tem credibilidade para gerir o hospital", sublinhou, acrescentando que esta opção vai assegurar "exigência, rigor, estabilidade, responsabilidade e confiança" na gestão daquela unidade de saúde.

Paulo Estevão, do PPM, entendeu que desta forma os socialistas revelaram a visão que têm do setor da Saúde.

"Esta dama de ferro é a imagem adequada! O nosso SRS está a ser atacado por um ideia ultraliberal, que está a desmantelar o serviço público que a região oferecia nessa área, em troca de um modelo da dama de ferro", apontou.

Aníbal Pires, do PCP, lamentou, por seu turno, que o Governo Regional tenha levado tanto tempo para demitir o anterior conselho de administração, depois dos relatos sobre os cuidados intensivos.

Uma opinião partilhada por Luís Maurício, do PSD, que considerou que o executivo reagiu tarde, quando se impunha que tivesse atuado de forma mais célere perante as denúncias dos enfermeiros.

Já Zuraida Soares, do BE, entendeu que a reestruturação em curso do SRS revela uma "absoluta desorganização" e voltou a lançar suspeitas sobre alegados interesses privados no negócio da radioterapia nos Açores.

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