CDS-PP/Açores denuncia "interesses obscuros" na alteração da frota da SATA

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O líder parlamentar do CDS-PP Artur Lima no plenário do Parlamento açoriano

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O líder da bancada do CDS/PP na Assembleia Legislativa dos Açores, Artur Lima, denunciou hoje a existência de "interesses obscuros" nos estudos encomendados pela Azores Airlines para a escolha da nova frota da transportadora regional.
 

 

O parlamentar centrista, que falava no plenário do parlamento açoriano, durante um debate de urgência sobre transportes, lembrou que a companhia aérea gastou "um milhão de euros" em estudos, para concluir que, afinal, os Airbus A321 são melhor opção que os A330.

"Os senhores aceitaram os estudos", lembrou o dirigente centrista, considerando que, "por interesses obscuros, que não se sabe bem quais", a SATA "voltou atrás", na opção pelos A330 e acabou por optar pelos A321 Neo, perante a conivência do Governo, que acusou de "andar à deriva".

As críticas da bancada do CDS geraram o protesto do secretário regional da Presidência, Berto Messias, que exigiu que Artur Lima concretizasse a acusação, ou em alternativa, que se retratasse.

"Ou o senhor concretiza aqui e agora quais são esses interesses obscuros, ou o senhor deputado terá de se retratar e pedir desculpa por essas acusações, que para já, e por sua responsabilidade, são acusações infundadas", apontou o governante.

O líder parlamentar centrista voltou a insistir na acusação inicial, esclarecendo, porém, que não está a falar em "corrupção", mas apenas a fazer uma "apreciação política aos estudos" encomendados pela SATA, que no seu entender revelam "ocultismo" e "obscuridade".

O secretário regional dos Transportes, Vítor Fraga, já tinha explicado, anteriormente, que a mudança de aparelhos resulta da mudança de estratégia da companhia aérea e das alterações entretanto verificadas no mercado, recordando que além da SATA, também a TAP fez o mesmo.

"Curiosamente ou não, [TAP] também reverteu a sua opção pelos A350 pelos A321 Neo, portanto, o mercado da aviação é um mercado muito dinâmico", justificou, na ocasião, o titular da pasta dos transportes no arquipélago.

Outra das questões levantadas pelo CDS está relacionada com o custo dos reencaminhamentos efetuados pela SATA, para transportar inter-ilhas aos passageiros das ilhas que não têm ligações diretas com o Continente.

A este respeito, Vítor Fraga esclareceu que foi o anterior Governo da República que entendeu que o pagamento não deveria ser feito diretamente à SATA, mas sim ao Governo dos Açores, que depois o encaminharia para a companhia aérea, mas nunca revelou qual o montante em causa.

"O valor dos reencaminhamentos está englobado no valor da indemnização compensatória e é calculado por défice de exploração", insistiu o governante.

O deputado do PPM, Paulo Estevão, recordou, a este respeito, uma resposta do Governo da República a um requerimento do CDS-PP, onde era referido que o valor dos reencaminhamentos ascendia a 3,7 milhões de euros.

Mas o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, entende que "esse valor não bate certo" com os números do executivo açoriano.

"Esse valor não bate certo com o valor que nós estimamos, e, portanto, a primeira coisa que há a fazer, é exatamente esclarecer esse assunto, para que seja possível, então sim, dar uma resposta concreta e rigorosa a esta Assembleia", explicou o chefe do executivo.

O deputado Carlos Ferreira, da bancada do PSD, questionou também o presidente do Governo sobre se estaria disponível para liderar e financiar as obras de ampliação da pista do Aeroporto do Horta, que foi alvo de um estudo por parte da Câmara Municipal da Horta, gerida por um autarca socialista.

"O que eu gostaria de ver nesta Assembleia era o senhor assumir a liderança efetiva do processo, garantindo que o Governo Regional dos Açores está disponível para suportar um terço ou a parte adequada do valor da obra", insistiu o parlamentar social-democrata.

Mas Vasco Cordeiro esclareceu que o Governo "não está disposto a por os açorianos a pagarem pelas omissões do Governo da República do PSD", recordando que a questão do financiamento da obra devia ter ficado assegurada no processo de privatização da ANA, na altura em que Passos Coelho era primeiro-ministro, e não agora que a infraestrutura é gerida por uma empresa privada, a VINCI.