Cavaco Silva e a situação do país nos discursos do Dia de Portugal

Cavaco Silva e a situação do país nos discursos do Dia de Portugal

 

Lusa/AO Online   Nacional   8 de Jun de 2015, 09:50

No primeiro 10 de Junho enquanto Presidente da República, Cavaco Silva pediu aos portugueses para não se resignarem face às dificuldades, e nos oito anos seguintes a situação do país nunca saiu dos seus discursos.

 

A fórmula seguida tem variado ao longo dos anos, seja em forma de alertas, apelos ou simples diagnósticos e análises, mas desde 2006, a nota comum a todas as intervenções do chefe de Estado no Dia de Portugal tem sido o estado do país.

O ano passado na Guarda, Cavaco Silva recomendou atenção para não se repetir uma "situação explosiva" e pediu para que se olhe para o futuro sem "ilusões". A necessidade de "um entendimento partidário de médio prazo" entrou também no discurso do chefe de Estado, retomando um apelo já muitas vezes por si repetido.

Contudo, as comemorações do Dia de Portugal em 2014 acabaram por ficar marcadas pela indisposição do Presidente da República que o obrigou a interromper o discurso que proferia nas cerimónias militares. Depois de assistido durante meia hora devido a uma "reação vagal" (uma das causas mais comuns de desmaio), Cavaco Silva retomou a intervenção.

Em 2013, em Elvas, com o país em contagem decrescente para a saída da ‘troika', que se concretizou no ano seguinte, o centro do discurso foi o futuro que se "avizinhava", com a repetição dos alertas sobre a urgência de preparar o período ‘pós-troika', antecipando os desafios futuros.

No ano anterior, em Lisboa, a mensagem foi de uma esperança cautelosa, com Cavaco Silva a apontar "sinais" e indicadores que permitiam ter confiança no futuro e numa recuperação económica, apesar de nada estar "garantido", dada a dependência do país do exterior. Nesse ano, o desemprego ocupou também lugar de destaque no discurso, com o chefe de Estado a instar as autoridades portuguesas e europeias a colocarem o problema no "topo das prioridades".

Em 2011, e apenas cinco dias depois das eleições legislativas antecipadas que ditaram o fim do Governo socialista de José Sócrates com a vitória do PSD, o Presidente da República optou por uma intervenção muito mais ‘contida', deixando apenas uma nota sobre a situação do país no final da intervenção proferida em Castelo Branco.

"Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada", sublinhou, poucas semanas depois de Portugal ter assinado o programa de ajustamento.

Um ano antes, o tom tinha sido bastante diferente, com Cavaco Silva a proferir em Faro um dos seus mais ‘duros' discursos do 10 de Junho, não poupando nas palavras para descrever a situação do país como "insustentável" e apelando ao estabelecimento de um "contrato de coesão nacional". A necessidade de justiça nos sacrifícios foi outro dos apelos então deixados pelo Presidente da República, que disse ainda que a sociedade precisa de se rever no rumo da ação política.

Em 2009, em Santarém, a poucos meses de eleições autárquicas e legislativas, o chefe de Estado falou sobre a crise financeira, considerando que o país poderia fazer do "tempo de provação um tempo de esperança" e defendendo "uma visão estratégica de médio e longo prazo, uma visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".

No seu terceiro discurso do 10 de Junho, em Castelo Branco, em 2008, o chefe de Estado referiu-se ao "universalismo português", alertando para que "um país onde as instituições não sejam fiáveis, que não cresça e não inove e sem uma escola de onde saiam elites" dificilmente pode aspirar a uma intervenção relevante no plano externo.

Nos dois primeiros anos de mandato, Cavaco Silva recuperou uma mensagem muito utilizada por si durante a campanha para as presidenciais que venceu em 2006, insistindo no apelo ao inconformismo.

"Não me resigno aos fracos níveis de crescimento económico, ao abandono escolar preocupante, à pobreza e exclusão social de tantas famílias, à escassa dimensão das componentes científica e tecnológica do aparelho produtivo", referiu em 2007, em Setúbal.

Um ano antes, no Porto, o chefe de Estado tinha exortado os portugueses a não se resignarem face às dificuldades do país, porque "isso seria indigno do nosso passado, um desperdício do nosso presente e o adiar do nosso futuro".


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