Política

Cavaco ainda não dedicou "um minuto" de ponderação sobre eventual recandidatura a Presidente da República

Cavaco ainda não dedicou "um minuto" de ponderação sobre eventual recandidatura a Presidente da República

 

Lusa/AO online   Nacional   6 de Mar de 2010, 18:22

O Presidente da República, Cavaco Silva, rejeitou hoje fazer qualquer comentário sobre se vai ou não recandidatar-se afirmando que “ainda faltam 369 dias” e que não dedicou “um único momento” do seu pensamento ao tema.

“Falta tanto tempo. Um ano, doze meses, 369 dias. Falta ainda muito tempo. Não acreditam no que digo e não insisto. Mas é assunto em relação ao qual eu não dediquei ainda um minuto da minha ponderação”, afirmou a jornalistas em Andorra. Apesar da insistência dos jornalistas, Cavaco Silva disse que preferia não responder, primeiro para não pecar por “falta de originalidade” em qualquer resposta que desse, mas também porque está “no estrangeiro” onde não comenta temas internos. E até mesmo quando questionado sobre quais os objetivos para o último ano do seu mandato, optou por uma resposta geral. “Desempenhar como até aqui, as minhas funções com dignidade, colocando toda a minha experiência e saber na defesa dos interesses de Portugal, no quadro das competências constitucionais do presidente da República”, disse. Cavaco Silva falava aos jornalistas portugueses em Andorra onde domingo termina uma visita marcada por contactos com as autoridades andorranas e com a comunidade portuguesa aqui radicada. O presidente da República recusou ainda tecer qualquer comentário sobre o plano de estabilidade e crescimento (PEC), hoje debatido e que considerou “vai ser agora objeto de uma negociação e um debate parlamentar”. “Não quero fazer qualquer comentário sobre medidas concretas, porque isso poderia ser mal interpretado ou mesmo utilizado. Com certeza tenho as minhas ideias”, disse. Questionado sobre se Portugal está ou não no caminho para resolver os problemas mais emergentes do país, Cavaco Silva disse que é “um homem de esperança” e que, no estrangeiro, não deixa de “sublinhar todas as potencialidades do país”. “Acho que cabe a um presidente da República nos contactos no estrangeiro mostrar que o país tem potencialidades, que pode ser uma terra de investimento, de oportunidades e que vale a pena nele apostar”, afirmou. “Em Portugal há uma compreensão bastante razoável dos problemas que o país enfrenta”, afirmou, explicando que na próxima semana voltará ao terreno “para mobilizar os portugueses para esta hora que não é fácil”. “O país precisa, de facto, de todos. É uma tarefa coletiva”, disse. Em termos gerais, Cavaco Silva considerou que a UE agiu corretamente, porque “procurou atuar coordenadamente, preparando-se para a articulação com os outros países do G-20. “Quando se trata de uma crise económica-financeira internacional em tempo de forte interdependência internacional, não é efetiva uma reposta isolada de um país ou mesmo de um bloco”, afirmou. Considerando que a comissão deve ter presente potenciais reações dos mercados financeiros internacionais, com inerente influência nas taxas de juro cobradas aos Governos, Cavaco Silva disse que o prazo dado até 2013 (para controlar o défice) permite que os países de défice elevado não sejam excessivamente penalizados. “Tolerar durante algum tempo (os défices) pode ser compreendido pelos mercados financeiros internacionais. Tolerar durante demasiado tempo é muito, muito provável que já não seja compreendido pelos mercados”, afirmou. “E os custos acabam sempre por cair sobre os países de mais pequena dimensão e com divida pública mais elevada em termos de produto, como é o caso da Grécia”, disse.


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