Católica estima crescimento económico de 1,1% em 2017

Católica estima crescimento económico de 1,1% em 2017

 

Lusa/AO online   Economia   12 de Out de 2016, 15:39

A Universidade Católica mantém a estimativa de crescimento económico de 1,1% em 2017, alertando para as perspetivas desfavoráveis para a economia mundial e a "incerteza orçamental" no próximo ano.

 

Em vésperas de apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2017 (OE2017), o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) mantém a projeção central do crescimento em 1,1%, no próximo ano, apontando “a incerteza sobre a política orçamental no próximo ano e, ainda, as perspetivas menos favoráveis para a economia mundial”.

O núcleo da Universidade Católica considera que, “tendo em conta o discurso público do Governo, é difícil descortinar as verdadeiras intenções de política económica”, uma vez que ainda é desconhecida a estimativa do défice para este ano, bem como o ajustamento orçamental a realizar – e as medidas que o vão sustentar – em 2017.

Nesse sentido, para o NECEP, que é liderado por João Borges de Assunção, é também difícil perceber qual será a reação da Comissão Europeia.

Além disso, e considerando que “não há informação pública suficiente para estimar se o défice ficará abaixo de 3% em 2016”, os economistas consideram que estas questões “vão condicionar a avaliação dos mercados ao OE2017”.

No Programa de Estabilidade 2016-2020, apresentado em abril, o Governo apresentou uma estimativa de crescimento económico de 1,8% para o próximo ano.

Ainda para este ano, o NECEP estima que a economia portuguesa cresça 0,2% no terceiro trimestre face ao anterior e 1% em termos homólogos.

“Esta estimativa sugere que a economia está com um crescimento fraco desde o segundo trimestre de 2015”, afirma o NECEP na folha trimestral de conjuntura divulgada hoje.

No segundo semestre, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,3% em cadeia e registou um crescimento homólogo de 0,9%.

Para o NECEP, liderado por João Borges de Assunção, os riscos para a economia continuam a ser “predominantemente descendentes”, destacando-se uma “forte preocupação” com o investimento (que voltou a recuar no segundo trimestre), o que sugere que “o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção.

Deste modo, o NECEP mantém a previsão de crescimento para 2016 em 0,9%, o que, a confirmar-se, representa uma desaceleração face a 2015, que apresentou um crescimento económico de 1,6%, alertando que existe “alguma incerteza para o resto do ano”.

“A reposição de salários na função pública sugeriria uma aceleração do consumo privado na segunda metade do ano mas a garantia, pelo Governo, do cumprimento de um défice inferior a 2,5% sugere, pelo contrário, uma travagem ainda em 2016”, admitem os economistas da Católica.

Para o NECEP, “os principais riscos da economia portuguesa continuam a ser de natureza financeira, quer os relativos à capitalização do setor bancário, quer ao processo de consolidação das finanças públicas”, afirma o NECEP.

Outro motivo de preocupação é a “fragilidade do investimento”, porque “pode sinalizar uma forte desaceleração do crescimento, quer em termos reais, quer em termos potenciais”.

A conjuntura externa poderá afetar negativamente a economia via dois processos que devem ser seguidos atentamente, salienta o NECEP: a evolução da posição do Governo britânico face à União Europeia e a velocidade da subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal Norte-Americana (FED).

De igual forma, acrescentam os economistas, os desenvolvimentos políticos e económicos em Espanha são um “risco latente” para a economia portuguesa, “em particular se um próximo governo for obrigado a tomar medidas restritivas que travem o crescimento da economia espanhola”.


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