Casos de SIDA em Portugal aumentam, mas estão mais protegidos diz coordenador nacional


 

Lusa/AO On Line   Nacional   24 de Nov de 2010, 05:56

O número de doentes com sida em Portugal aumentou dos 31 mil (2001) para os 42 mil (2009), mas isso "é uma boa notícia”, porque significa que “as pessoas não estão a morrer”, explicou o coordenador nacional da doença.

Em declarações à Lusa, Henrique Barros reconheceu que a evolução do quadro geral do vírus da imunodeficiência humana (VIH) tem sido “a desejável”, mas alerta que “o facto de as coisas estarem no bom caminho não quer dizer que estejamos no melhor dos mundos”.

“A evolução tem sido a desejada, mas nada disso permanece como está se se tirar o pé do acelerador. Isto é um caminho que está a ser percorrido, que tem de melhorar e que, seguramente, se nós deixarmos de tratar as pessoas, de fazer os diagnósticos, de fazer pressão na prevenção, volta tudo para trás”, reiterou.

De acordo com o responsável, “a infeção em Portugal atingiu uma dimensão muito grande e muito preocupante”, pelo que é necessário que o país “faça as coisas certas” para evitar “problemas graves”.

A agência das Nações Unidas para a sida (ONUSIDA), que hoje divulgou o “Relatório Global da ONUSIDA - Epidemia da sida”, indica que, em Portugal, 100 por cento dos doentes com tuberculose infetados com o vírus da sida têm acesso a antirretrovirais.

No entanto, Henrique Barros esclarece que “atualmente, ao contrário [do que se verificava] há alguns anos atrás, a todas as pessoas que têm tuberculose é oferecido o teste da sida e, se forem positivos, são tratadas para a tuberculose e depois, naturalmente, para a infeção de VIH”.

Ainda de acordo com o relatório da ONUSIDA, realizado com base em dados fornecidos pelos próprios países, apenas cerca de 10 por cento dos infetados pela injeção de drogas acedem ao tratamento antirretroviral.

Também estas estatísticas são corrigidas pelo coordenador nacional para o VIH: “Em Portugal, neste momento, só entre os doentes em tratamento (e isto é uma estimativa por baixo), temos cerca de 5400 doentes em tratamento cujo modo de transmissão da infeção foi a injeção de drogas.”

“Isto é a evidência de que não é verdade que só dez por cento dos doentes que usaram drogas e foram infetados são tratados”, conclui, recordando que o número total de infetados com VIH, em Portugal, é de 42 mil pessoas.

De acordo com Henrique Barros, “entre as pessoas que estão nos Centros de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) só cerca de dez por cento é que estão infetadas”, acrescentando que pode ser esta “a confusão”.


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