Caso Carlos Castro "entregue" aos jurados quinta-feira

Caso Carlos Castro "entregue" aos jurados quinta-feira

 

Lusa/AO online   Internacional   28 de Nov de 2012, 08:52

O caso Carlos Castro será "entregue" na quinta-feira aos jurados, que irão nos dias seguintes deliberar até chegar a um veredito para o arguido, o jovem Renato Seabra, acusado de ter assassinado o cronista social.

O anúncio foi feito pelo juiz Daniel Fitzgerald hoje, após a audição da última testemunha do caso, o psiquiatra Roger Harris, chamado pela defesa para argumentar que os problemas mentais de Seabra o impediram de ter consciência do crime e, como tal, não deve ser considerado culpado.

O caso remonta a 07 de janeiro de 2011, quando Seabra matou e mutilou o colunista social Carlos Castro, com quem passava férias em Nova Iorque e mantinha uma relação íntima.

Nas últimas semanas, os jurados ouviram um psicólogo clínico contratado pela acusação, William Barr, que defendeu a culpabilidade de Seabra, e um outro especialista trazido pela defesa, David Singer, que alinhou pela tese de falta de responsabilidade criminal.

Antes, passaram pela sala de audiências do juiz Fitzgerald testemunhas que conviveram com Seabra e Castro em Nova Iorque, os detetives que extraíram a confissão do crime, especialistas forenses e pessoal do hotel em que passavam férias, entre outras testemunhas.

Na quarta-feira, defesa e acusação farão as alegações finais perante os jurados.

O ponto culminante do julgamento será o anúncio do veredito dos jurados, a que se seguirá a leitura da sentença pelo juiz, a ter lugar nas semanas seguintes.

Depois de ter falhado as quatro últimas sessões, Renato Seabra recusa-se a voltar ao julgamento, segundo revelou hoje o seu advogado.

Antes da sessão de hoje, o advogado de defesa, David Touger, informou hoje o juiz Fitzgerald da indisponibilidade de Seabra para voltar a tribunal, e no final disse aos jornalistas que o réu diz que "só à força" volta ao tribunal.

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram o jovem em três unidades psiquiátricas, a defesa afirma que na altura do crime, o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com caraterísticas psicóticas graves" e, como tal, não deve ser considerado culpado.

Aponta ainda para a natureza brutal das agressões, incluindo mutilações genitais da vítima, como prova de que Seabra estava sob efeito de uma psicose, tal como o facto de ter relatado a dois psicólogos ter obedecido a "vozes" dentro da sua cabeça, nomeadamente durante a mutilação.

A acusação defende que Seabra estava consciente e que, a haver psicose, esta terá sido desencadeada pelo crime em si, e que o jovem terá exagerado e fingido sintomas para se declarar em tribunal não culpado por razão de insanidade mental.


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