Casal acusado de vender ouro roubado em ourivesaria em Ponta Delgada opta por silêncio

Casal acusado de vender ouro roubado em ourivesaria em Ponta Delgada opta por silêncio

 

Lusa/AO online   Regional   19 de Mar de 2015, 15:50

O Tribunal de Ponta Delgada começou a julgar um casal acusado de recetação de objetos em ouro roubados de uma ourivesaria no centro da cidade, em janeiro de 2013, de valor superior a 200 mil euros.

 

O casal, que durante o julgamento não quis prestar declarações, terá recebido os objetos que, posteriormente, vendeu em várias lojas de compra e venda de ouro, pelo que está acusado de um crime de recetação, cometido em coautoria.

O homem está ainda acusado de dois crimes de tentativa de furto qualificado e a mulher de um crime de furto qualificado na forma tentada.

A acusação reporta-se a dois episódios distintos, um deles um assalto à ourivesaria, estando o casal acusado de ter recebido parte dos objetos furtados e de os vender em diferentes estabelecimentos da cidade. O segundo episódio é referente a uma tentativa de assalto a uma loja de ferragens.

O assalto à ourivesaria ocorreu a 20 de janeiro de 2013, pelas 7:00, sendo que o assaltante (ou assaltantes), cuja identidade não se apurou, "introduziu-se pelo telhado" e levou vários objetos em ouro que estavam em vitrinas e armários, num valor que ascende os 200 mil euros, segundo a acusação.

O Ministério Público acusa o casal de ter recebido os objetos furtados e de os vender em vários estabelecimentos de compra de outro da ilha de São Miguel.

Além disso, e de acordo com a acusação, a 28 de julho de 2014, por volta da hora de almoço, os arguidos tentaram assaltar uma loja de ferragens em Ponta Delgada, mas não conseguiram concretizar o roubo, porque o alarme do estabelecimento comercial disparou e o casal pôs-se "em fuga".

Contudo, e no dia seguinte, o homem voltou à mesma loja, introduziu-se no estabelecimento pelo telhado e tentou assaltar a caixa registadora por meio de arrombamento, mas não conseguiu, porque "foi impedido por agentes da PSP que acorreram ao local", refere ainda a acusação.

Durante a audiência de julgamento, o casal optou pelo silêncio.

A sobrinha do homem confessou ter vendido alguns objetos em ouro "a pedido" do casal, por "duas ou três vezes", mas disse que "não sabia" que se tratavam de objetos roubados e apenas "recebeu 30 euros pela venda", enquanto a funcionária de uma loja disse que a arguida lhe tentou vender ouro e reparou que ela tinha "uma grande quantidade" de objetos.

Quanto ao proprietário da ourivesaria, confirmou o furto no espaço comercial, enquanto uma funcionária reconheceu a arguida por já ter ido lá para efetuar "uma compra".

Um responsável da PSP, que procedeu à investigação do processo, confirmou a apreensão, na residência dos arguidos, de "objetos", mas disse que "grande parte do ouro apreendido foi em estabelecimentos de compra e venda de ouro em segunda mão".

O Ministério Público pediu a condenação do casal, alegando que a prova dos factos "é abundante" e frisou que ambos têm antecedentes criminais.

Já a defesa pediu a absolvição no caso do assalto à loja de ferragens.

A leitura do acórdão ficou marcada para 07 de abril.

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