Casa na ilha do Pico nomeada para maior prémio europeu de arquitetura


 

Lusa/AO Online   Regional   5 de Fev de 2015, 13:00

Uma casa na ilha do Pico, nos Açores, da autoria do gabinete Sami-Arquitetos, de Setúbal, foi nomeada para o maior prémio europeu de arquitetura, o Mies van der Rohe Award 2015.

 

“Ser, de facto, nomeado para o prémio europeu de arquitetura Mies van der Rohe Award 2015 já é muito prestigiante”, disse à agência Lusa a arquiteta Inês Vieira da Silva, uma das responsáveis pelo projeto e cofundadora do gabinete Sami-Arquitetos.

Os candidatos a este prémio de arquitetura contemporânea, instituído pela União Europeia, são nomeados por especialistas independentes e membros das associações de arquitetura do Conselho da Europa, entre outras entidades.

Inês Vieira da Silva referiu que a casa E/C é uma habitação de férias localizada em São Miguel Arcanjo, concelho de São Roque do Pico, tendo surgido da necessidade de manter uma ruína, que lhe deu origem.

“O projeto surgiu da vontade de manter a ruína e pensar uma casa que a valorizasse, que a ela se pudesse moldar e simultaneamente dela tirar partido, oferecendo possibilidades de vivências mais diversas e complexas que a anterior tipologia”, afirmou.

A arquiteta acentua que a casa, moldada no interior das paredes de pedra, foi desenhada com “vãos generosos, para entrada de luz e para usufruto da deslumbrante paisagem, que se alinham e, por vezes, desacertam dos vãos pré-existentes da ruína, recriando enquadramentos e relações com o limite original da casa”.

Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira, seu sócio no Sami-Arquitetos, possuem uma ligação afetiva ao Pico, desde 2002, uma vez que trabalharam na na ilha, no gabinete de zona classificada da vinha, que é Património da Humanidade da Unesco (organismo das Nações Unidas para a educação e cultura) desde 2004.

Esta é a terceira vez que os dois arquitetos são nomeados para o prémio europeu Mies van der Rohe Award 2015, tendo a primeira sido com a Gruta das Torres, também no Pico, o primeiro edifício que projetaram e construíram, e a segunda com a casa C/Z, outra habitação construída na ilha.

Foi também com a casa C/Z que estes arquitetos venceram o 1.º prémio da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo.

“Estes projetos são indissociáveis da nossa experiência na ilha do Pico onde, de facto, o ambiente rural e a proximidade a uma paisagem natural tão forte, bonita e excecional torna-se inseparável da nossa maneira de projetar”, afirmou Inês Vieira da Silva.

A arquiteta referiu que nos últimos tempos, no contexto europeu, com a globalização e a “febre” de construção, a arquitetura tem estado “mais adormecida” para as especificidades e concentrada em edifícios mais vistosos.

“Creio que estes são modelos que na velha Europa já se percebeu que não são sustentáveis e, no futuro, isso será notório noutros locais. De facto, voltar à especificidade do lugar e de cada país será inevitável. É um bocadinho neste território que nós operamos, na especificidade de cada lugar, de cada cliente”, conclui.

O gabinete Sami-Arquitetos foi criado em 2005 e os dois sócios continuam a desenvolver projetos na ilha do Pico.


  


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