Casa do Romeiro inaugurada no primeiro semestre na Lagoa

Casa do Romeiro inaugurada no primeiro semestre na Lagoa

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   5 de Jan de 2017, 09:51

A Casa do Romeiro vai ser inaugurada no primeiro semestre deste ano, na Lagoa, para preservar a tradição das romarias quaresmais e desenvolver uma ação mais proativa deste movimento na área social.

"Os romeiros de São Miguel têm praticamente 500 anos. Nos últimos 50 anos houve alguma evolução, mas o facto é que não tínhamos uma sede social e isto é fundamental para podermos fazer um trabalho em condições", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da recentemente criada Associação Movimento Romeiros de São Miguel, João Carlos Leite.

Todos os anos os primeiros ranchos partem no fim de semana após a Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa.

João Carlos Leite disse que "a Casa do Romeiro vai ficar instalada no concelho da Lagoa", fruto da cedência de "um espaço da autarquia", acrescentando que o imóvel "vai ser alvo de ligeiras adaptações, mas deverá ser inaugurado ou antes das romarias ou logo após, em fevereiro ou em abril", respetivamente.

"Será a sede social, com os arquivos e equipamentos informáticos, e também um espaço para colocar uma exposição com situações alusivas aos romeiros. É objetivo criar alguma interação com a comunidade lagoense, em particular, e com a comunidade micaelense em geral", salientou.

O Movimento de Romeiros de São Miguel tem associados 52 ranchos, além de mais dois da diáspora, em Toronto, no Canadá.

João Carlos Leite explicou que a Associação de Movimentos de Romeiros de São Miguel foi constituída a 07 de dezembro no decurso de uma assembleia na qual foram eleitos os primeiros corpos sociais.

"Entretanto, ficámos a aguardar a ratificação do bispo. Já somos personalidade jurídica, canónica e civil desde o final de ano", disse ainda.

Segundo João Carlos Leite, o objetivo é ter uma associação de romeiros "ativos e assertivos na sociedade micaelense" com o objetivo de preservar a tradição das romarias e, agora de uma forma mais organizada, "desenvolver uma ação mais proativa na sociedade, a nível pastoral, religioso e cívico".

No próximo dia 29 os romeiros reúnem-se em retiro, na Ribeira Grande, um encontro anual que decorre habitualmente no último domingo de janeiro onde os responsáveis de todos os ranchos da maior ilha dos Açores refletem sobre temas ligados à atualidade social e da Igreja.

As romarias quaresmais terão surgido na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI na ilha que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

Só homens podem participar nestas romarias, de duração de uma semana, que têm um percurso sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas da ilha.

Os romeiros de São Miguel usam um xaile e um lenço e transportam um bordão e um terço. Ao longo do percurso, entoam cânticos e rezam.

Durante a semana em que estão na estrada dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar em localidades logo a seguir ao pôr-do-sol.

Este ano as romarias decorrem de 04 de março a 13 de abril, indicou o dirigente.

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