Apito Dourado

Carolina Salgado diz que "ainda ficaram muitas coisas por dizer"


 

Lusa/Ao online   Nacional   10 de Dez de 2007, 08:58

"Ainda ficaram muitas coisas por dizer e desvendar". A frase é de Carolina Salgado, ex-companheira do presidente do FC do Porto, em entrevista à Lusa, a propósito da possível publicação de outro livro sobre Pinto da Costa.
Apesar de não confirmar que está a escrever um novo texto sobre as suas relações com o dirigente portista, Carolina Salgado afirma: "Ainda não me sinto realizada na minha missão, pois ficaram muitas coisas por dizer e desvendar. Coisas que o país merece saber".

    "O meu livro foi escrito com base em acontecimentos felizes e apaixonados. Agora entrei num novo capítulo, a história muda de figura, a base não recai sobre um romance, mas sobre uma vida agitada, uma vida inesperada depois do 'Eu, Carolina'", acentua.

    Acrescenta que, desde então, tem tido "uma vida marcada por processos, por falsos amigos, num autêntico 'big brother', em constante controlo e observação, em constante receio. A saga continua, ainda mais reveladora e com mais suspense!".

    Escusando-se a revelar o conteúdo das 21 horas de declarações à magistrada Maria José Morgado, nomeadamente sobre alegados contratos paralelos e verbas de venda de jogadores no FC Porto, Carolina diz que se sentiu "aliviada", apesar de "ter a consciência dos riscos" ao abordar assuntos tão delicados.

    A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado lidera a Equipa de Coordenação do Processo "Apito Dourado", relativo a alegada corrupção no futebol português.

    "Não estou minimamente arrependida", garante Carolina, apesar dos "momentos difíceis e contrariedades" que enfrentou e que - assinala - "atingiram, também, a família".

    Manifesta-se "orgulhosa do sucesso" do seu livro, acentuando que o seu impacto lhe dá "forças para continuar a batalhar".

    Questionada sobre declarações de Pinto da Costa dizendo estar "de peito aberto e consciência tranquila" e ser "perseguido pessoalmente" pela Justiça, Carolina sublinha que "não faz parte de qualquer perseguição".

    "Quando muito, admito que gostaria de colaborar com a Justiça para erradicar os 'podres' que todos conhecem e, simultaneamente, assistir às reformas que urge implantar no futebol português", concede.

    Diz que a declaração vem de "alguém com dotes oratórios apreciados em determinados círculos de decisão", mas lembra que "os factos, quando provados, podem acarretar consequências".

    Sobre um dossier anónimo, alegadamente produzido por agentes da Polícia Judiciária (PJ) com casos que envolveriam o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, Carolina classifica a tese do envolvimento da Procuradoria-Geral da República e da PJ como "ridícula e injustificada".

    Defende que, "se calhar, há por aí muita gente a dormir mal e a fomentar manobras com o intuito de descredibilizar a Justiça", recusando-se a acreditar que existam "investigadores judiciais que ocultam actos ilícitos de outros emblemas clubísticos e dos seus protagonistas".

    Carolina assegura que não leu o livro das jornalistas Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca, sobre Jorge Nuno Pinto da Costa, intitulado "Luzes e Sombras de um Dragão": "Já me passou a fase de ler histórias da carochinha", ironiza.

    Acerca de um alegado pedido de 500 mil euros a Pinto da Costa para não escrever "Eu, Carolina" - versão relatada pelas jornalistas -, Carolina limitou-se a responder com uma breve gargalhada.

    Dizendo que as jornalistas "escreveram o que as incumbiram de escrever", Carolina diz que as pessoas que têm testemunhado contra ela, nomeadamente Paulo Lemos, são "usadas por alguém".

    "Não são meus amigos, nem gente que cativasse a minha atenção", assegura, dizendo que conheceu Lemos porque precisava mudar uma fechadura de casa.

    Nega, ainda, que tenha havido "qualquer 'hapenning'" entre os dois.

    "A cada nova declaração ele contradiz-se, primeiro acusa, depois pede perdão e, num rebate de consciência, alega que mentiu porque estaria a receber ameaças anónimas", acentua na sua entrevista à agência Lusa.

    Carolina Salgado manifesta-se "completamente inocente" no caso da tentativa de incêndio ao escritório de Pinto da Costa: "Apenas me acusam para prejudicar e denegrir a minha imagem perante a opinião pública", lamenta.

    No mesmo sentido, nega uma tentativa de agressão ao médico Fernando Póvoas, avisando que "a mentira tem perna curta".

    Sobre recentes declarações de Ana Maria Salgado, sua irmã-gémea, apontando alegadas cumplicidades com a equipa de investigação do "Apito Dourado", Carolina não compreende como "tal foi possível", frisando que guarda "uma mágoa muito profunda e irreparável".

    "Senti-me como se me tivessem cravado um punhal e retirassem uma parte de mim", lamenta, lembrando que sempre foram "muito próximas, com uma ligação afectiva que só um gémeo conhece e compreende".

    Sobre as acusações da irmã, acha que se perde tempo e se gasta dinheiro de impostos "a averiguar situações absolutamente surreais".

    Sustenta que o "Apito Dourado" "ainda tem um longo caminho pela frente" e, quanto aos processos em que é parte, apenas salienta: "Os meus advogados têm desempenhado um excelente trabalho e, como já dizia o velho ditado, 'quem não deve não teme'".

    Promete cooperar com a Justiça enquanto as forças lho permitirem, "sem deixar nada a meio", o que considera "um dever de cidadania num Estado de Direito".

    Refere que o filme "Corrupção", baseado no seu livro, está a ser um sucesso porque a temática "não deixa ninguém indiferente".

    Carolina Salgado adianta que tem inúmeros projectos futuros, alguns envolvendo a moda, "com as senhoras como alvo". Promete surpreender, neste sector da actividade comercial.

    Todavia, remata: "Os grandes projectos da minha vida são os meus filhos, pretendo possibilitar-lhes uma vida serena e feliz".

   

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