Carnaval da Terceira é preparado há semanas por milhares de pessoas

Carnaval da Terceira é preparado há semanas por milhares de pessoas

 

LUSA/AO Online   Regional   19 de Fev de 2017, 13:07

Cerca de seis dezenas de danças e bailinhos de Carnaval decorrem, entre sábado e terça-feira de Carnaval, na ilha Terceira, nos Açores, mas a tradição é preparada há várias semanas e não só por quem sobe ao palco.

As danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira são manifestações de teatro popular, acompanhadas por música, com textos em rima, que incluem habitualmente crítica social. Mais de mil músicos e atores amadores atuam de forma gratuita em cerca de 40 palcos espalhados por toda a ilha, prolongando as atuações pela madrugada dentro, durante quatro dias. As danças de pandeiro, os bailinhos e as comédias têm um texto cómico, enquanto as danças de espada representam um drama. Desde janeiro que decorrem os ensaios em sociedades filarmónicas ou em garagens, mas há quem também comece a preparar o Carnaval com antecedência nos bastidores. Há mais de 10 anos que o fotógrafo João Costa faz uma recolha dos grupos que vão participar no Carnaval para elaborar uma revista que inclui informações sobre o tema do assunto, o número de elementos, os autores e fotografias. “Começo-me a informar logo a seguir à passagem de ano. Telefono aos grupos que já conheço e vou às freguesias todas. É um trabalho exaustivo, mas é gratificante”, adiantou, em declarações à Lusa. A revista, que começou a ser feita em parceria com o jornal “A União”, extinto entretanto, é distribuída gratuitamente pelos salões de toda a ilha e já tem uma tiragem de 10.000 exemplares. Este ano, pelas contas de João Costa, deverão passar pelos palcos da ilha 60 danças e bailinhos, incluindo três que se deslocam dos Estados Unidos da América e um do Canadá, onde há uma forte comunidade emigrante açoriana. Segundo o proprietário da Foto Íris, 18 grupos que participaram no ano passado não atuam este ano, mas em compensação surgiram 19 novos, mantendo-se assim um número semelhante ao de 2016. Para que os grupos atuem é preciso também que se abram as portas das casas de espetáculos espalhadas por toda a ilha, na grande maioria sociedades filarmónicas e recreativas, dirigidas por voluntários. Nalgumas freguesias já começam a faltar jovens interessados em renovar as direções das sociedades, mas, mesmo que algumas encerrem durante o ano, surgem sempre voluntários para manter as portas abertas nos quatro dias de Carnaval. Há dois anos, a Sociedade Recreativa de Nossa Senhora do Pilar, na freguesia das Cinco Ribeiras, corria o risco de encerrar as portas, mas cinco voluntários, já com vários anos de experiência, assumiram a direção. Um deles, Duarte Leal, comentou que, apesar do tempo de dedicação exigido e das despesas, continuam por gosto: “Se não fosse assim estava fechado”. Os grupos atuam de forma gratuita e não há cobrança de bilhetes, mas também não há horários marcados, o que implica esperas tanto do público como de quem atua. “O Carnaval é livre. A organização é muito difícil. Uma pessoa que vai num bailinho, gastou o seu dinheiro, não está disposta a ser mandada”, apontou João Ormonde. No ano passado, passaram pela sociedade das Cinco Ribeiras 40 danças e bailinhos e este ano espera-se o mesmo. A qualidade das infraestruturas, a receção do público e uma mesa farta para que os participantes possam comer algo depois da atuação são alguns dos atrativos com que as sociedades tentam cativar os bailinhos. Os convites aos grupos incluem também uma pequena oferta, como uma garrafa de bebida ou, no caso das Cinco Ribeiras, um queijo de uma fábrica artesanal da freguesia. Sem receitas, as sociedades recorrem a patrocínios e a peditórios à população da freguesia, que contribui com dinheiro e pratos para a mesa. Além de atuarem de forma gratuita, os músicos e atores amadores têm despesas, por exemplo, com a música, os transportes ou os cenários. Só a roupa, no caso de um mestre (cantor que lidera a dança), pode custar 500 euros. Desde finais de dezembro que as quatro costureiras do ateliê Etis, na Praia da Vitória, preparam roupas e adereços. “Os grupos gostam de chegar ao palco e ter uma boa apresentação. Até dizem na Terceira que um bailinho bem apresentado já é 50% ganho”, frisou Olga Martins. Segundo a costureira, os grupos procuram inovar todos os anos, apostando cada vez mais na ligação entre as roupas dos músicos e o tema. “Está muito diferente. Procura-se caprichar mais. Ainda existe a pluma, a lantejoula e o brilho – Carnaval pede brilho –, mas de uma maneira diferente”, explicou.

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