Carlos, "o Chacal" condenado pela terceira vez a prisão perpétua por atentado em Paris em 1974

Carlos, "o Chacal" condenado pela terceira vez a prisão perpétua por atentado em Paris em 1974

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   28 de Mar de 2017, 17:59

O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido sobretudo por Carlos,"o Chacal", foi condenado a prisão perpétua pela justiça francesa por um atentado em Paris em setembro de 1974 que provocou dois mortos e 34 feridos.

O Tribunal criminal de Paris comunicou esta terceira condenação a prisão perpétua para Carlos após menos de quatro horas de deliberação.

Segundo o juiz-presidente François Sottet, o tribunal considerou provado no decurso deste processo, iniciado em 13 de março, que o venezuelano de 67 anos e detido em França desde agosto de 1994 foi responsável pelos quatro delitos de que era acusado.

A principal acusação referia-se às mortes de François Benzo e David Grunberg devido a uma granada lançada numa galeria comercial do bairro Saint Germain de Paris em 15 de setembro de 1974.

O representante do ministério público também se baseou nos testemunhos de ex-companheiros de armas de Carlos, mas que segundo a defesa variaram nos seus testemunhos no decurso das diversas audições e se mostraram confusos.

“Na resistência palestiniana, ninguém executou mais pessoas do que eu. Mas sou o único que sobreviveu. Em todos os combates existem infelizmente vítimas colaterais”, referiu durante o julgamento.

Símbolo da luta armada durante as décadas de 1970-1980, Carlos integrou a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) antes de formar um grupo próprio, e iniciar contactos na Europa com a Fração do Exército Vermelho (RAF) e as Células Revolucionárias (RZ) alemãs, e o Exército Vermelho Japonês.

Na terça-feira, antes de o tribunal se retirar para deliberar, apresentou-se como um “revolucionário profissional” e voltou a invocar uma das “regras” da “resistência palestiniana”: “Não concordamos nem cooperamos com uma justiça que não reconhecemos”.

Ramírez Sánchez, que se sentava sozinho no banco dos réus, denunciou ainda um processo “absurdo” por ser realizado quase 43 anos após os factos, e sobretudo por não lhe ser permitido confrontar diretamente as principais testemunhas.

Os seus advogados, após esgrimirem os mesmos argumentos, anunciaram a apresentação de um recurso para a realização de um novo julgamento em apelo.

Detido em França desde agosto de 1994, quando foi capturado no Sudão numa operação dos serviços secretos, Carlos já tinha sido condenado a duas penas de prisão perpétua.

A primeira em 1997, pelo assassinato em Paris de dois agentes dos serviços secretos franceses e de um delator em 27 de junho de 1975.

A segunda, confirmada em apelo em junho de 2013, por quatro atentados cometidos em França em 1982 e 1983, onde morreram 11 pessoas e 150 ficaram feridas.

Denominado “o Chacal”, Carlos reivindica 1.500 mortes para a sua organização e 80 pelas suas próprias mãos, em particular contra interesses ocidentais e israelitas, mas contesta qualquer responsabilidade nos atentados ocorridos em França.

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