Pedrógão Grande

Carlos César avisa que PS não está para brigas entre partidos

Carlos César avisa que PS não está para brigas entre partidos

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   22 de Jun de 2017, 15:07

O presidente do PS criticou o agendamento pelo PSD de um debate para a próxima semana sobre questões inquietantes que resultaram do incêndio de Pedrógão Grande, advertindo que os socialistas não estão para brigas entre partidos.

 

Esta posição foi assumida por Carlos César em conferência de imprensa, na Assembleia da República, depois de confrontado com o agendamento potestativo [de caráter obrigatório] feito pela bancada social-democrata para o próximo dia 29 - debate em que o PSD pretende discutir questões que "apoquentam, inquietam e intrigam" os portugueses na sequência da tragédia resultante do incêndio de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, do qual resultaram pelo menos 64 mortos.

"Neste tempo que estamos a viver e face à própria proposta que antes o PSD apresentou para a constituição de uma comissão técnica independente" sobre as causas do incêndio de Pedrógão Grande, "eu não colocaria um debate imediato, que assume naturalmente um caráter político e até uma tentativa incriminatória", começou por responder o líder da bancada socialista.

O presidente do PS advogou depois que a marcação deste debate político pelo PSD para a próxima semana não se insere na mesma linha de atuação que os sociais-democratas antes assumiram quando apresentaram uma proposta para a criação de uma comissão técnica independente.

"Se o PSD pretende por um lado a formação de uma comissão independente que dê resultados, que faça uma análise independente e tecnicamente fundamentada, então não deveria preceder isso de um debate político que antecedesse essas próprias conclusões. Nós não estamos aqui para brigas entre partidos, mas para saber o que se passou e, sobretudo, para que de futuro isto não volte a ocorrer e para que a reparação daquilo que aconteceu seja exemplar", contrapôs Carlos César.

Para o presidente do Grupo Parlamentar do PS, na sequência dos incêndios na zona de Pinhal dos distritos de Leiria e Coimbra, "é fundamental uma reparação exemplar, um reordenamento exemplar e uma indemnização adequada para todos os que perderam os seus bens".

"O PS não contribuirá para que o esclarecimento destas matérias, para que o plano de reconstrução e para que a reforma global das florestas sejam prejudicados por um combate partidário sem qualquer sentido", frisou, noutro recado dirigido à bancada do PSD.

Perante os jornalistas, o presidente do Grupo Parlamentar do PS referiu que ainda antes da sessão solene desta quarta-feira, que foi dedicada às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, teve pessoalmente a oportunidade de manifestar a sua "concordância ativa" face à proposta do PSD no sentido de ser criada uma comissão técnica independente para apurar eventuais deficiências ao nível da prevenção e do combate àquele fogo de grandes dimensões.

"Pela nossa parte, consideramos que é uma boa proposta e uma proposta bem-vinda. Temos de possuir critério em tudo isto - e o critério não pode ser o da competição partidária ou o dos jogos partidários", referiu ainda o líder da bancada socialista.

Para Carlos César, após a tragédia ocorrida em Pedrógão Grande, "é agora fundamental que sejam acompanhadas as famílias que tiveram vítimas".

"Depois destes tristes acontecimentos, é fundamental que país se orgulhe da forma como procurou compensar a vida dessas pessoas e a economia dessas regiões", acentuou.

Interrogado sobre os critérios que defende para a composição da comissão proposta pela bancada social-democrata, o líder parlamentar do PS alegou que, pela parte do PS, ainda não se seguiu "com minúcia" aspetos dessa ordem.

"Nós não seguimos com minúcia esses detalhes no sentido de saber se são uma ou duas pessoas. Queremos que, sendo uma comissão técnica, seja efetivamente técnica; e que, sendo uma comissão independente, seja independente", respondeu.


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