Carlos César admite que PS pode não dar indicação de voto nas presidenciais

Carlos César admite que PS pode não dar indicação de voto nas presidenciais

 

Lusa/AO Online   Nacional   2 de Jul de 2015, 08:17

O presidente do PS, Carlos César, afirmou em entrevista à Antena 1 que se as eleições presidenciais fossem hoje votava em Sampaio da Nóvoa, mas admitiu que os socialistas poderão não dar indicação de voto.

“Imagine que três ou quatro dirigentes máximos do Partido Socialista resolviam candidatar-se à Presidência da República: não nos envolveríamos num processo fratricida”, afirmou, sublinhando que cada um tem a sua opinião sobre a matéria.

“Eu, se as eleições presidenciais fossem hoje, teria com certeza a minha opinião”, salientou Carlos César.

Questionado pela Antena 1 se a sua opção apontaria para os candidatos às presidenciais já anunciados, e se seria Sampaio da Nóvoa, Carlos César confirmou que “sim”.

Sobre as legislativas, referiu a “dinâmica inevitável de voto útil em torno” do PS, sublinhando que se vai perceber que é a “única alternativa à esquerda”.

A este propósito, apontou “a dispersão de votos que hoje existe pelo Partido Comunista Português, que se transformou no partido útil de direita”. “Dar um voto ao Partido Comunista é emprestar um voto à direita, o mesmo acontece com o Bloco de Esquerda”, sustentou.

Ou seja, para Carlos César, votar nos comunistas é “empatar o capital político da esquerda, porque o Partido Comunista se inutilizou no plano político”.

“O Bloco de Esquerda teve um ataque de terror com as últimas sondagens, quando percebeu que havia uma situação de empate técnico entre o Partido Socialista e a coligação de direita, percebeu que essa dinâmica de voto útil era imparável e apressou-se a dizer o que não dizia há anos, que colaboraria ou se empenharia na existência de um Governo de esquerda”, acrescentou.

Sobre a detenção do antigo primeiro-ministro José Sócrates, Carlos César disse não achar normal as pessoas estarem detidas tanto tempo sem acusação, mas salientou que “não será o único caso” e sugeriu uma revisão à lei.

“É necessário fixar prazos, haver uma indiciação, um grau de suspeita, que sejam proporcionais às medidas de coação, às medidas restritivas”, afirmou.

Na entrevista, o presidente do PS falou também sobre a crise na Grécia, salientando que o “problema da sustentabilidade da dívida deve ser colocado” e que se deve intervir, considerando que os maiores obstáculos ao fecho de um acordo foram os pequenos países, incluindo Portugal.

“Os responsáveis franceses acabaram de confirmar que os maiores obstáculos ao fecho de um acordo foram justamente os pequenos países, designadamente os que sofreram processos de ajustamento. O que o ministro francês quis dizer é que os invejosos não quiseram que este acordo fosse fechado”, concluiu.


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