Cardiologistas lançam campanha para diminuir mortes por enfarte do miocárdio

Cardiologistas lançam campanha para diminuir mortes por enfarte do miocárdio

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   14 de Fev de 2017, 11:31

O enfarte agudo do miocárdio mata mais de 8 mil doentes por ano em Portugal, um número que é possível diminuir, segundo a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), que lançou uma campanha de conscientização sobre a doença.

 

Dados da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular referem que mais de dois terços da população não conhecem os sintomas da doença e que apenas um terço dos doentes utiliza o 112 para ser encaminhado para um hospital e receber a assistência médica mais adequada.

Para combater estes números, a APIC lançou hoje, Dia Nacional do Doente Coronário, a campanha “Não perca tempo. Salve uma vida. O enfarte não pode esperar”.

A campanha pretende sensibilizar a população para os sinais e sintomas do enfarte e para a necessidade de ligar rapidamente o 112, para garantir o acesso ao tratamento indicado, a angioplastia primária, e diminuir o número de mortes, informa a associação em comunicado.

Os principais sintomas da doença são dor no peito, por vezes com irradiação ao braço esquerdo, costas e pescoço, que pode ser acompanhada por suores, náuseas, vómitos, falta de ar e ansiedade.

A campanha, que se irá prolongar durante os próximos meses, faz parte da Stent For Life, uma iniciativa trazida para Portugal em 2011 pela APIC, que integra a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, e que já conseguiu ganhos nesta área.

Para avaliar a eficácia da campanha foram realizados inquéritos nacionais, com a duração de um mês e com uma periodicidade anual, designados por Momentos entre 2011 (Momento zero) e 2016 (Momento cinco).

A principal conclusão que se tira é que a campanha “pode estar a chegar às pessoas, uma vez que durante o período de vigência da Stent For Life em Portugal, se observou uma evolução positiva nos indicadores do ‘atraso do doente’”, adianta a associação.

Segundo a APIC, foi verificada “uma redução significativa” dos doentes que recorreram aos cuidados de saúde primários como primeira forma de pedirem ajuda (de 20,3% no primeiro Momento, para 4,4% no Momento 5), ou que recorreram a centros sem cardiologia de intervenção (de 54,5% para 37,9%, respetivamente).

Por outro lado, observou-se um aumento dos que ligaram o 112 (de 35,2% passou para 46,6%) e do transporte dos doentes pelo Sistema nacional de emergência médica (INEM) para um centro com cardiologia de intervenção onde os doentes têm acesso ao tratamento por angioplastia primária.

Contudo, o “atraso do sistema de saúde” não sofreu alterações significativas ao longo deste período, salienta a associação, adiantando que “estes resultados estão a ser tomados em conta na estratégia futura do Stent For Life, designadamente no reforço dos atuais programas educacionais para melhorar este atraso.

A campanha irá ser divulgada através de pequenos vídeos, contando com o testemunho de várias pessoas a alertar para a necessidade de se ligar rapidamente o 112, entre as quais o apresentador José Carlos Malato, que teve um enfarte aos 49 anos.


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