Economia

Cardeal de Lisboa diz que "ninguém manda nos mercados" financeiros

Cardeal de Lisboa diz que "ninguém manda nos mercados" financeiros

 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Nov de 2011, 21:12

O cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, afirmou hoje que “ninguém manda nos mercados” e que podem ser constituídos grupos como os “G20 ou G40”, que o domínio da área financeira ficará inalterado.

“Hoje ninguém manda nos mercados, não tenham ilusões, podem fazer os G20 e os G40 que quiserem que os mercados não têm outra ordem de reação e de avaliação”, argumentou numa intervenção na conferência “O Futuro da Europa”, que decorreu em Lisboa. Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, estão a decorrer no espaço europeu “mudanças significativas, algumas delas preocupantes”. “Hoje sinto uma perda discreta e progressiva do poder de quem nos governa e as causas são várias”, disse José Policarpo, citando a “liberdade do poder financeiro frente à Economia”. Contudo, o cardeal não deixou de acrescentar uma nota mais descontraída e repetiu uma anedota contada por si enquanto ouvia o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. “Ouvia na televisão o presidente [do Eurogrupo] dizer muito simpaticamente que o euro sem Portugal é inconcebível e eu comentei que isso depende do resultado com a Bósnia [referindo-se ao jogo de qualificação para o Europeu de futebol de 2012]”, contou. Na qualidade de presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme Oliveira Martins afirmou que a “lógica europeia não pode ser fragmentária e divisória”. No painel sobre Europa Política, em que interveio Mário Soares, antigo Presidente da República, Oliveira Martins sublinhou a importância de uma maior participação dos parlamentos nacionais. O orador defendeu ainda a necessidade de os cidadãos se sentirem que “têm voz”, pelo que deveria existir um “Senado [europeu] com representação igualitária”. O também presidente do Tribunal de Contas referiu que a situação atual não seria melhor fora da moeda única europeia e exemplificou com a Grã-Bretanha. “A Grã-Bretanha não está melhor. A libra não protegeu a Economia e a dívida externa é de 600 por cento do Produto Interno Bruto”, afirmou. A conferência foi organizada pela Comissão Nacional Justiça e Paz, em colaboração com o Centro Nacional de Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian.


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