Cantinas sociais evitaram que "bomba social" rebentasse

Cantinas sociais evitaram que "bomba social" rebentasse

 

Lusa/AO online   Nacional   16 de Out de 2014, 11:13

O presidente da Fundação AMI, Fernando Nobre, afirmou que as cantinas sociais e escolares espalhadas por todo o país conseguiram evitar que a "tão temida bomba social" rebentasse.

 

As cantinas sociais foram criadas pelo Governo para apoiar as famílias que não conseguem garantir um mínimo de duas refeições por dia, havendo atualmente mais de 800, que serviram nos primeiros dez meses do ano passado mais de 14 milhões de refeições.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza e dos Sem-Abrigo, que se assinala a 17 de outubro, Fernando Nobre realçou a importância destes equipamentos para complementar o apoio prestado aos mais desfavorecidos pelas instituições de solidariedade social.

As cantinas sociais e as cantinas escolares "foram-se espalhando pelo país e ainda bem, porque senão já teríamos, talvez, atingido a situação tão temida, a chamada explosão da bomba social”, disse o presidente da AMI, salientando que estes equipamentos permitiram “minorar a aparência da pobreza, que é real entre nós”.

Ainda a nível do apoio alimentar, Fernando Nobre alertou para um “fenómeno preocupante”, a redução do apoio prestado pela União Europeia, através do Fundo Europeu de Auxílio a Carenciados, que substituiu o Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados.

Este apoio “tem vindo a diminuir de ano para ano”, disse o responsável, dando como exemplo o caso da Assistência Médica Internacional.

“Em 2012, a AMI recebeu, no âmbito desse programa, 720 toneladas de alimentos, em 2013 já só recebeu 620 toneladas e em 2014, possivelmente, não chegaremos às 500 toneladas”, lamentou.

Fernando Nobre explicou que a redução da oferta aliada à “pressão na procura dos alimentos, que tem sido constante”, faz com que as respostas nos 15 equipamentos sociais da AMI espalhados por todo o país “se mantenham sob alta pressão social”.

No ano 2000, a AMI serviu cerca de 100 mil refeições, um número que subiu para 220 mil no ano passado, “o que quer dizer que a crise está instalada, muitas vezes escondida, escamoteada, em famílias da média burguesia”.

“Hoje temos vários engenheiros civis e muitos outros licenciados a beneficiarem dos nossos apoios”, elucidou o responsável, considerando que Portugal está numa “situação preocupante”.

O presidente da Fundação AMI lembrou os mais de dois terços dos agregados familiares que declararam no IRS de 2012 um rendimento anual bruto igual ou inferior a 10 mil euros e os cerca de um milhão de reformados que têm reformas inferiores a 400 euros.

“Isto situa o patamar social de Portugal”, frisou.

Fernando Nobre disse temer, “como cidadão português e como presidente da Fundação AMI”, que “a situação continue a ser altamente preocupante” nos próximos anos, “ a menos que se chegue a um consenso nacional que permita olhar de frente” o combate à pobreza e à exclusão social.


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