Candidatos criticam "desastre" da última década da governação de Jardim


 

AO/lusa   Nacional   14 de Dez de 2014, 13:40

Os candidatos à liderança do PSD/Madeira realçam o "legado histórico" de Alberto João Jardim no desenvolvimento da região, alguns classificam-no como "um herói", mas a maioria critica a falta de renovação e o "desastre" da sua governação na última década.

 

Mais de 7.100 militantes do PSD/Madeira vão escolher o sucessor de Jardim nas eleições internas agendadas para 19 de dezembro, com seis militantes na corrida à liderança regional: Miguel Albuquerque, João Cunha e Silva, Miguel de Sousa, Sérgio Marques, Manuel António Correia e Jaime Ramos.

O ex-presidente da câmara do Funchal Miguel Albuquerque, que já defrontou Jardim numas eleições internas do PSD/M, destaca o papel de Jardim “no desenvolvimento que a Madeira conheceu”, argumentando que depois de um “período de enorme fulgor, as políticas teimosamente seguidas ao longo dos últimos dez anos, perderam acuidade e têm-se revelado um desastre porque insiste num modelo esgotado e que já não serve as populações”.

Em resposta a um questionário enviado pela agência Lusa a todos os candidatos, Albuquerque defendeu uma “renovação de políticas e protagonistas” e considerou que há “uma manifesta incapacidade de renovar os quadros políticos e governativos, o que intensifica o divórcio entre o partido e a sociedade civil”.

Para o candidato João Cunha e Silva, atual vice-presidente do governo madeirense, “é preciso saber respeitar o legado histórico de Alberto João Jardim” e referiu que “agora não é momento de olhar para o passado, mas de perspetivar o futuro”.

Na opinião de Sérgio Marques, que foi eurodeputado, a liderança de Jardim “provocou uma revolução largamente positiva na região até ao momento em que era preciso reavaliar prioridades”, sublinhando que a sua governação não conseguiu “atualizar procedimentos, processos e programas” e deveria ter acontecido “uma mudança de figuras há muito tempo”.

Para Miguel Sousa, que é vice-presidente na Assembleia Legislativa da Madeira e foi número dois do executivo insular, Jardim “foi um herói até o ano 2000”, ano em que o governo madeirense “realizou tudo e ficou sem dívida”, o que classificou de “milagre político”.

No entender deste candidato, “depois disso, dada a má qualidade da sua equipa de governo, foi o desastre”, acusando o executivo insular de ter enterrado a Madeira “em dívida pública e obras que têm tanto de absurdas como de desnecessárias”, uma situação que disse ser “um pesadelo com muita irresponsabilidade”.

 

Miguel Sousa também criticou a dependência do partido no arquipélago do atual secretário-geral insular, Jaime Ramos, responsabilizando-o “pela perda de prestígio e respeito junto da população, o que arrastou o PSD/M para os seus piores resultados eleitorais”.

Manuel António Correia fez “um saldo altamente positivo” das quatro décadas de governação de Jardim”, admitindo que “nem tudo foi certo, que existiram erros, mas esses não são suficientes para alinhar no diapasão da crítica, da deslealdade e da irresponsabilidade política e partidária”, porque todos estiveram envolvidos no processo.

O candidato sublinhou ainda que para ser líder do PSD/M “não é preciso castigar e delapidar” e que está “voltado para o futuro”, com o objetivo de “abrir um novo ciclo” no partido e na região.

Jaime Ramos recusou responder ao questionário da agência Lusa, rasgando o documento com as questões.



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