Cancelamento de grandes obras afetará emprego de imigrantes

Cancelamento  de grandes obras afetará emprego de imigrantes

 

Lusa/AO Online   Economia   15 de Mai de 2010, 08:05

Responsáveis de associações ligadas aos imigrantes em Portugal admitiram hoje que o cancelamento ou adiamento pelo Governo de grandes obras públicas irá afetar negativamente a comunidade imigrante ao nível do emprego.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Mendes, da Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes em Portugal (PERCIP), previu que o "impacto será brutal", tendo em conta que muitos imigrantes "estão inseridos" na actividade da construção.

Paulo Mendes sublinhou que a crise nesse tipo de actividade já existe "há algum tempo", mas que agora a situação vai "agravar-se", sendo de prever um "aumento" do número de imigrantes que "regressarão aos seus países de origem".

Vincou que, ao contrário do que acontecia há alguns anos, os imigrantes dificilmente poderão encetar novos projetos de vida em Espanha ou noutros países europeus, porque a crise também se alastrou a esses países, onde a percentagem de desempregados é também elevada.

Paulo Mendes apontou as comunidades africana e brasileira como as que irão ser mais afetadas pelo cancelamento ou adiamento de grandes obras de construção, mas observou que toda a sociedade portuguesa vai ser atingida pela crise.

Timóteo Macedo, membro do Conselho Consultivo sobre Imigração e responsável da Associação Solidariedade Imigrante, considera que o cancelamento de grandes obras terá "algum impacto", mas "não um grande impacto".

Segundo Timóteo Macedo, o que existe é uma economia informal e um sistema de trabalho ilegal a proliferar de tal forma que já perfaz 20 por cento da economia geral, sendo esta a situação que "urge combater".

Em sua opinião, "já não são os imigrantes em Portugal que são os mais penalizados com o corte nas grandes obras públicas", muito embora reconheça que tais projetos iriam atrair novos imigrantes para Portugal.

O mesmo responsável notou que os imigrantes que já cá estão "estão ocupados" com "os lugares que os portuguesese já não querem".

O padre Mário Silva, do Centro Padre Alves Correia, referiu que "na medida em que houver grandes obras públicas há empregos" para os imigrantes em Portugal.

Salientou que os imigrantes "vão fazer aqueles trabalhos que normalmente os portugueses não querem fazer", pelo que aquele tipo de obras é "uma grande fonte de empregos para os imigrantes" em Portugal.

O Governo anunciou na quinta feira um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011. Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras.

O primeiro ministro, José Sócrates, já tinha admitido o adiamento de grandes investimentos públicos como as obras do futuro aeroporto de Alcochete e a terceira travessia sobre o Tejo, no quadro do esforço de acelerar as medidas de consolidação orçamental.


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