Campeonato de jogos já ajudou alunos a melhorarem notas a matemática

Campeonato de jogos já ajudou alunos a melhorarem notas a matemática

 

Lusa/AO Online   Nacional   4 de Mar de 2016, 12:11

O Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos, que pretende despertar o interesse dos alunos para a matemática, desafiando-os a exercitar competências típicas da disciplina de forma lúdica, já ajudou estudantes a melhorarem notas nas escolas, segundo um especialista.

 

"Há casos de alunos que não são muito bons a matemática nas escolas e chegam aos campeonatos e começam a ter bons resultados nos jogos e a ganhar a alunos que têm melhores notas e a autoestima deles muda completamente e são recuperados para a excelência de uma maneira que parece magia", disse hoje à agência Lusa Jorge Nuno Silva, da Associação Ludus, uma das promotoras do campeonato.

Segundo Jorge Nuno Silva, "a falta de autoestima é um dos problemas do insucesso de alunos a matemática, porque quando um aluno começa a ser mau convence-se de que vai ser sempre mau e depois é um problema recuperá-lo", mas "quando começa a ganhar aos bons alunos em jogos de inteligência", como os jogos matemáticos do campeonato, "a autoestima sobe e o desempenho na sala de aula muda e as notas melhoram, o que é extremamente gratificante".

A matemática é "difícil de ensinar e qualquer esforço para promover o ensino da disciplina é bem-vindo", disse, referindo que os organizadores estão "muito satisfeitos", porque o campeonato "tem feito uma diferença no país e ajudado alunos a melhorarem as notas a matemática nas escolas".

Jorge Nuno Silva, também professor de matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, falava à Lusa a propósito da final da 12.ª edição do Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos, a decorrer hoje, em Beja, com cerca de 1.500 alunos de 300 escolas de Portugal.

O objetivo do campeonato é "despertar o interesse dos alunos" dos ensinos básico e secundário "para a matemática de uma forma lúdica" e "promover nos praticantes exatamente as mesmas competências que a matemática precisa", ou seja, "pensamento rigoroso e criativo", explicou.

"Estes jogos matemáticos são, de facto, jogos, de tabuleiro, muito bem escolhidos e que promovem as mesmas competências da matemática e têm a seu favor o facto de serem naturalmente apelativos" e, por isso, "as crianças aderem imediatamente", disse.

Segundo Jorge Nuno Silva, "o curioso é que são jogos difíceis de jogar e que exigem uma atividade intelectual puxada e os miúdos estão de facto a fazer algo difícil, mas como tem a palavra jogo, acontece num tabuleiro e tem o aspeto lúdico dos jogos a adesão é extraordinária".

"Está demonstrado, por estudos científicos de neurociência, que a prática destes jogos é em tudo semelhante internamente no nosso cérebro à prática da matemática, portanto, é uma maneira indireta, sem números, já que são jogos de tabuleiro, de promover e exercitar as competências típicas da matemática e que, normalmente, se resumem a uma frase curta: pensamento rigoroso e criativo", disse.

Na final da 12.ª edição do campeonato, a decorrer hoje no Pavilhão Multiusos do Parque de Feiras e Exposições de Beja, "vemos cerca de 1.500 alunos a passar horas a puxar pela cabeça com todo o gosto e com a adesão das famílias", disse.

"E, principalmente, com a adesão de professores de matemática de escolas de todo o país, que já compreenderam e abordagem externalista do campeonato, fora da sala de aula, para a promoção do prazer de pensar com rigor e criatividade", sublinhou.

Os jogos do campeonato, promovido também pela Sociedade Portuguesa de Matemática, Associação de Professores de Matemática e Ciência Viva, "não são destinados a serem praticados dentro da sala de aula".

"Há jogos pedagógicos e didáticos, mas não são estes jogos matemáticos, estes são uma atividade extracurricular de grande sofisticação, de grande nível, que faltava em Portugal", disse.


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