Câmara do Porto Santo vai penalizar fiscalmente hotéis que fecham no inverno

Câmara do Porto Santo vai penalizar fiscalmente hotéis que fecham no inverno

 

Lusa / AO online   Economia   12 de Out de 2014, 12:29

Quase todas as unidades hoteleiras do Porto Santo vão encerrar nos meses de inverno, deixando a capacidade de alojamento da ilha reduzida às poucas pensões e residenciais, uma medida que a câmara vai penalizar fiscalmente, segundo o presidente.

 

“É óbvio que a câmara não pode ficar indiferente a essa medida, que é prejudicial ao destino e à economia local, para já não falar nos trabalhadores que ficarão em ‘lay-off’”, declarou Filipe Menezes à agência Lusa.

O autarca reagia à decisão do grupo Pestana, que tem optado pelo fecho dos dois hotéis que explora na ilha, uma medida que este inverno será seguida pelo grupo Sousa, que tem três unidades e a concessão da linha marítima Madeira-Porto Santo. Está igualmente previsto o encerramento da unidade do Inatel.

Filipe Menezes afirmou que este é “um quadro negro” para a pequena ilha do Porto Santo, que tem cerca de 5.400 habitantes e vê esta população quadruplicar nos meses de verão, sendo o destino de férias de muitos madeirenses.

Segundo o responsável, a ilha tem sete unidades hoteleiras, uma capacidade de 2.000 camas e até março ficará com o alojamento reduzido “a poucas centenas, em residenciais, pensões e alojamento local”.

O autarca notou que a ilha fica também sem possibilidade de responder, por exemplo, a solicitações de alojamento no caso dos passageiros dos aviões que divergem do aeroporto da Madeira devido ao mau tempo, “situações que são até recorrentes no inverno”.

Filipe Menezes salientou que, no caso do grupo Sousa, que “tem um papel relevante enquanto empregador e é detentor do monopólio de transportes no Porto Santo, isto vem provar que pode estar na iminência de cancelar as viagens do navio ‘Lobo Marinho’ durante a semana toda”, o que, no seu entender “é um claro retrocesso para a economia e para ilha, que vai ficar ainda mais isolada do mundo”.

Para contrariar esta tendência, realçou o responsável, as câmaras têm mecanismos, inclusive na cobrança de impostos municipais, pelo que o executivo está a trabalhar para implementar este tipo de medidas ainda este ano.

Estes grupos hoteleiros "estão isentos de Imposto Municipal sobre Imóveis e outros impostos, precisamente porque invocaram interesses públicos subjacentes ao desenvolvimento da ilha e esbatimento da sazonalidade, e agora fazem precisamente o contrário daquilo que tinham prometido ao Porto Santo”, argumentou.

Segundo Filipe Menezes, estes grupos hoteleiros “não podem apenas virar costas à ilha depois de virem no verão ganhar dinheiro, terem maximização dos lucros”.

O responsável do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria, Adolfo Freitas, referiu que esta decisão põe em causa cerca de 150 posto de trabalho na ilha.

Por seu turno, o grupo Sousa assegurou que o encerramento dos dois hotéis “é a única medida de gestão possível neste momento para salvaguardar todos os postos de trabalho”.

A decisão, acrescentou, está “exclusivamente relacionada com a sazonalidade do destino e a não existência de clientes”, mas a empresa assegurou que não vai alterar as ligações marítimas.

Quanto à secretária regional do Turismo e Transportes da Madeira, Conceição Estudante, já declarou que esta “decisão não é nova” e realçou que este é um destino marcado pela sazonalidade, considerando ser “negativo” manter um hotel aberto sem clientes.

A governante sugeriu que o período de inverno fosse utilizado para formação e trabalhos de recuperação das unidades.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.