Câmara do Comércio diz que modelo de transportes marítimos está esgotado

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Porto de Ponta delgada

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O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada disse que o modelo de transportes marítimos está esgotado, considerando que de nada valem bons sistemas de apoio às exportações quando não se resolvem problemas operacionais.
 

 

"Os transportes marítimos estão, como estavam os transportes aéreos, a reclamar um modelo novo, mais económico, mais eficiente e mais eficaz", afirmou Mário Fortuna na abertura da Feira Lar, Campo e Mar, em Ponta Delgada, Açores.

Assinalando ser "muito positivo" que o Governo Regional tenha incluído este objetivo no seu programa de ação, o empresário sublinhou a "urgência desta tarefa para o bem de toda a economia dos Açores".

"Já não é admissível registarem-se falhas continuadas de serviço, objeto de queixas pela nossa congénere de Angra de Heroísmo, numa reação que começa a ter que ser secundada da nossa parte também, devido a falhas igualmente registadas em Ponta Delgada, como se verificou ainda esta semana", assinalou Mário Fortuna.

Para o responsável, "de nada vale criarem-se bons sistemas de apoio o investimento e às exportações quando não se resolvem os problemas operacionais que corroem" a competitividade.

"O problema pode ser, em parte, da operação, mas é, também e sobretudo, de configuração do modelo que já deu muitas provas de que está esgotado", declarou.

Esta semana, a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo denunciou o incumprimento dos horários dos navios de mercadorias nas ligações à Terceira e acusou a Autoridade da Mobilidade dos Transportes de não regular a atividade dos armadores.

"Para a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo e para os seus associados basta deste oligopólio que todos os dias prejudica a Terceira, prejudica a economia dos Açores (...) Os atrasos não são uma exceção, mas sim a regra", salientou, em conferência de imprensa, Sandro Paim, presidente da associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge.

Em março, no debate sobre as propostas de Plano e Orçamento regionais para 2017, o secretário regional dos Transportes e Obras Públicas, Vítor Fraga, adiantou que "ao nível do transporte marítimo de carga, pretende-se aprofundar e evoluir o modelo existente para otimizá-lo e reduzir custos diretos e indiretos, bem como os tempos de entrega, potenciando assim uma maior competitividade da nossa economia".

Na abertura do certame, o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, destacou que se vive hoje "um período de nova esperança e de confiança renovada na região e no país", referindo que o país apresenta "resultados e indicadores" nas finanças públicas, atividade económica e emprego que "são reconhecidos por todos os analistas como extremamente positivos".

No caso dos Açores, Vasco Cordeiro sublinhou que se conseguiu "resultados ainda melhores", notando que estes "resultam de um esforço conjunto com as empresas e trabalhadores açorianos".

"Mas, face a estes resultados positivos, a principal mensagem que hoje quero partilhar aqui convosco é uma mensagem de inconformismo, de ambição e de exigência", declarou o chefe do executivo e garantiu que o Governo Regional "está e continuará a estar empenhado na criação de um ambiente estimulante à eficiência empresarial, disponibilizando um vasto conjunto de instrumentos que contribuam para fomentar a competitividade das empresas".