Câmara de Ponta Delgada aprova dissolução de empresa municipal Cidade em Ação


 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Jun de 2017, 13:24

A Câmara de Ponta Delgada, aprovou hoje a dissolução da empresa municipal Cidade em Ação, que gere equipamentos urbanos, e a internalização dos seus serviços e sete funcionários na autarquia.

 

À agência Lusa, o presidente da Câmara de Ponta Delgada, o social-democrata José Manuel Bolieiro, adiantou que o município deliberou ainda “manter a empresa Coliseu Micaelense, mas promover uma internalização parcial das suas atividades, aquelas que eram desenvolvidas anteriormente pela empresa Anima que, entretanto, foi fundida com a empresa Coliseu”, assim como de outros sete funcionários.

José Manuel Bolieiro adiantou que, desta forma, o município responde àquela que é “a preocupação que o país tem tido relativamente ao setor empresarial local que não tem sustentabilidade”, assumindo que “essa é uma dificuldade verificada no setor empresarial local de Ponta Delgada”, como sempre reconheceu.

Questionado sobre a empresa Azores Parque, que, além do parque empresarial tem um ninho de empresas, o autarca declarou que, neste caso, como envolve também capital social privado, o município ainda não tem “uma solução juridicamente consolidada”, estando esta situação a ser avaliada.

À pergunta se a situação do Azores Parque era para resolver ainda neste mandato – há eleições autárquicas a 01 de outubro –, José Manuel Bolieiro assegurou que, enquanto a autarquia “não tiver consolidação jurídica sobre o modo de processar”, não se precipitará “em soluções que sejam problemas”.

“Eu quero resolver de forma definitiva as questões mais problemáticas na gestão da câmara municipal”, acrescentou, acusando a oposição socialista de “estar a fazer um jogo político, porque se trata de um ano de eleições”.

Segundo José Manuel Bolieiro, “os vereadores do PS sempre se queixaram da situação financeira do setor empresarial local e quando se encontra a solução votam contra”.

O PS votou contra a dissolução e internalização da Cidade em Ação e absteve-se na internalização dos seus recursos humanos. Os vereadores da oposição votaram igualmente contra a internalização parcial do Coliseu Micaelense e abstiveram-se na parte dos trabalhadores.

O vereador socialista Nuno Miranda lamentou que a maioria tenha apresentado um estudo jurídico e não uma análise global do setor empresarial local, como exige o PS desde abril 2016, criticando que este não se debruce sobre a Azores Parque, “a empresa que maiores problemas tem no grupo municipal de Ponta Delgada”, referindo que o PS só entende “isto como sendo uma medida eleitoralista a três meses das eleições”.

“Não podemos compactuar com análises segmentadas, com decisões em cima do período eleitoral que não têm um panorama geral”, declarou Nuno Miranda.

A este propósito referiu que, no caso da Coliseu Micaelense, uma sala de espetáculos foi feita em 2012 em “fusão com a Anima, agora a fusão com a Anima é desfeita e são internalizados os serviços que pertenciam a Anima na câmara”.

“Fizemos já uma medida parcelar que não resultou e agora estamos a experimentar outro tipo de medidas sem termos o panorama geral de todo o setor”, acusou Nuno Miranda.

O vereador alertou ainda que “o que é criado é a necessidade do posto de trabalho, não a necessidade de aquele trabalhador ficar afeto àquele posto de trabalho”, referindo que tem de haver um concurso público para admissão de pessoal.

“Não existe uma entrada direta daqueles trabalhadores”, insistiu.

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