Câmara da Horta recebe pedido de informação para recuperar termas abandonadas há mais de 20 anos

Câmara da Horta recebe pedido de informação para recuperar termas abandonadas há mais de 20 anos

 

LUSA/AOnline   Regional   17 de Dez de 2016, 11:10

A Câmara da Horta, na ilha açoriana do Faial, recebeu recentemente um pedido de informação prévia de um empresário para recuperar as Termas do Varadouro, abandonadas há mais de duas décadas, disse à Lusa fonte do município.

A entrega do pedido - que pode anteceder um licenciamento, permitindo saber a viabilidade da obra e os condicionamentos legais - foi feita por um empresário oriundo do continente português com o intuito de ali construir uma unidade hoteleira.

"A Câmara Municipal recebeu um pedido de informação prévia para as Termas do Varadouro e já solicitou, entretanto, pareceres a outras entidades", disse a mesma fonte, sem querer adiantar mais pormenores.

Em causa está o receio de que este investidor privado, cuja identidade não foi revelada, possa vir a abandonar o projeto, como aconteceu com outros empresários que chegaram a manifestar interesse na construção de uma unidade hoteleira no local.

Foi o que aconteceu em janeiro de 2012, quando deu entrada na Câmara da Horta um primeiro pedido de informação prévia relativo às Termas do Varadouro, na altura aprovado pelo município.

O edifício, situado no lugar do Varadouro, uma estância balnear pertencente à freguesia do Capelo, foi construído em 1954 (com projeto da autoria do arquiteto Read Teixeira), embora a descoberta das águas termais tenha ocorrido quase um século antes (1868).

O imóvel, inicialmente pertencente à Câmara Municipal da Horta, passou mais tarde para a posse do Governo dos Açores, que chamou a si a responsabilidade de recuperar as termas em várias ilhas do Açores, por entender que seriam uma mais-valia para o turismo de saúde e de bem-estar.

Mas, ao contrário do que aconteceu com as Termas da Ferraria, em São Miguel, ou das Termas do Carapacho, na Graciosa (recuperadas com dinheiro públicos e cedidas a privados, para exploração), no caso do Varadouro o executivo entendeu esperar por um investidor externo para fazer o trabalho.

A opção do Governo Regional gerou, na altura, contestação por parte dos deputados do PSD à Assembleia Legislativa dos Açores, que acusavam o executivo socialista de ter uma "dualidade de critérios" em relação a estes investimentos.

"As Termas do Varadouro foram esquecidas e adiadas à espera de privados interessados, revelando, perante investimentos semelhantes em ilhas diferentes, uma dualidade de critérios que até hoje não foi devidamente explicada", recorda Luís Garcia, deputado do PSD.

Na altura (junho de 2007), o Governo encarregou a sociedade anónima Ilhas de Valor de promover e desenvolver os projetos termais do Carapacho e da Ferraria.

No ano seguinte, o então secretário regional da Economia, Duarte Ponte, anunciou que as Termas do Varadouro iriam ser reativadas, mas integradas num projeto "mais vasto" que incluía a construção de um Hotel SPA, com dois pisos e 50 quartos, destinado ao turismo de saúde.

A intenção do Governo socialista era lançar um concurso para a exploração das termas, para os privados que concorressem fossem obrigados a construir a nova unidade hoteleira, mas os potenciais interessados nunca chegaram a avançar.


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