Caldeirão da ilha do Corvo está a perder água devido à erosão

Caldeirão da ilha do Corvo está a perder água devido à erosão

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Jan de 2017, 09:03

A montanha vulcânica Monte Gordo, na ilha do Corvo, denominada de Caldeirão, está a perder água devido a um processo de erosão que gerou fendas nos seus flancos noroeste e oeste.

 

“A caldeira do vulcão apresenta flancos de declives muito agudos, principalmente a noroeste e a oeste, resultantes da ação intensa de processos erosivos, quer marinhos, quer dos ventos”, disse hoje à agência Lusa o diretor do Parque Natural do Corvo, Fernando Ferreira.

A caldeira do Corvo tem um perímetro de 2,3 quilómetros e uma profundidade de 320 metros, sendo o seu interior ocupado por vários cones que os populares afirmam representar cada uma das nove ilhas dos Açores, bem como por salpicos de lava.

A par da erosão marinha, a ilha do Corvo enfrenta ventos de noroeste e oeste que “acabam por afetar as vertentes do vulcão”, agora “parcialmente perturbadas no flanco sul”.

O responsável referiu que este é um processo “muito lento” de fustigação, que tem ocorrido ao longo de centenas de milhares de anos, e, há cerca de 20 anos, começou a provocar a abertura de fissuras por onde a água das lagoas do Caldeirão “está a perder-se”.

“Em pleno inverno não se sente grande diferença, uma vez que chove muito e o Caldeirão mantém o elemento água que lhe dá encanto, mas no período de verão, em que a chuva escasseia, por vezes, como dizem os antigos, o caldeirão teria mais água”, afirmou.

Fernando Ferreira declarou que o fenómeno “está estudado” pela Universidade dos Açores, bem como pelos serviços de recursos hídricos do Governo Regional, cujos técnicos se deslocaram ao local “por diversas vezes” e “perceberam que nada pode ser feito, porque é um fenómeno natural”.

“Este é um processo que está em franco desenvolvimento e a erosão não dá tréguas”, sublinhou.

Fernando Ferreira adiantou que, ao longo de centenas de milhares de anos, a ilha do Corvo, que teria 28 quilómetros quadrados, com base em estimativas baseadas em estudos geológicos, apresenta 17 quilómetros na atualidade.

“Porque a ilha não tem atividade vulcânica, as encostas vão sofrendo a erosão. Não sabemos se o processo vai estagnar ou terá uma evolução mais grave que fará o fenómeno atingir outras proporções”, disse, para acrescentar que existem nascentes e poços no interior que têm ajudado a manter a água na caldeira.

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