Calçado português é 2º mais caro do mundo mas novas tendências baixam preço médio

Calçado português é 2º mais caro do mundo mas novas tendências baixam preço médio

 

AO/Lusa   Nacional   30 de Ago de 2015, 11:45

O calçado português manteve-se em 2014 o segundo mais caro do mundo depois do italiano, mas a associação setorial antecipa que, devido ao sucesso das recentes inovações em sintéticos e plásticos, o preço médio seja "reajustado em baixa".

 

“O preço médio do calçado português nos mercados internacionais tem vindo a aumentar significativamente, fruto nomeadamente da aposta das empresas na migração da produção de calçado para segmentos de maior valor acrescentado. Espera-se, no entanto, que nos próximos anos o preço médio do calçado português possa ser reajustado em baixa, à medida que forem sendo introduzidos novos produtos, nomeadamente a exportação de calçado em outros materiais (por exemplo sintéticos e em plástico) ”, disse à agência Lusa fonte da Associação dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS).

Segundo a associação, este é o caminho apontado no último plano estratégico do setor, o FOOTure 2020, já que “permitirá a Portugal diversificar a sua gama de produtos, de modo a aprofundar a estratégia de penetração em novos mercados”.

Por enquanto, contudo, os 31,88 dólares (cerca de 28,24 euros) a que em 2014 foi comercializado cada par de calçado produzido e exportado por Portugal, segundo dados do World Footwear Yearbook 2015, destacam-se como o segundo maior preço médio de exportação a nível internacional, apenas superado pelo calçado italiano.

Conforme explica a APICCAPS, a “forte especialização” de Portugal na produção e exportação de calçado em couro - mais de 80% - foi "determinante para este resultado”.

“Apenas Itália revela um desempenho melhor do que o português”, com um preço médio na ordem dos 50 dólares (cerca de 44,28 euros), refere a associação, mantendo-se Espanha, o outro “grande concorrente” internacional de Portugal, a uma “grande distância” ao exportar o seu calçado a 22,03 dólares (cerca de 19,51 euros) o par.

Já a China, que assegura 65% da produção mundial de calçado, fica-se por um preço médio do par de calçado exportado de 4,44 dólares (cerca de 3,93 euros), oito vezes mais baixo do que o calçado português.

Segundo dados da APICCAPS, Portugal exportou, em 2014, cerca de 95% da sua produção para mais de 150 países dos cinco continentes, num valor próximo dos 1.900 milhões de euros, a maior cifra de sempre de exportação.

Desde 2009, as vendas do setor ao exterior cresceram mais de 50%, passando de 1.200 milhões de euros para 1.850 milhões de euros em cinco anos.

No mesmo período, destaca a associação, o calçado afirmou-se como “o produto que mais positivamente contribui para a balança comercial portuguesa”, com um saldo positivo na ordem dos 1.300 milhões de euros.

As últimas estatísticas disponíveis apontam para exportações de 39 milhões de pares de calçado português, no valor de 887 milhões de euros, no primeiro semestre de 2015, o que representa um aumento homólogo de 0,44% e o sexto ano consecutivo de crescimento do setor.

Até junho, o “modesto desempenho económico” dos vários mercados europeus travou a afirmação do calçado português naqueles países, pelo que foram as exportações extracomunitárias o “grande motor de crescimento” do setor, evoluindo cerca de 6% e contrabalançando o recuo intracomunitário.

Fora da Europa, o destaque vai para os bons desempenhos do setor na Austrália (crescimento de 7%), Canadá (mais 10%), China (aumento de 81%), Colômbia (mais 196%), EUA (crescimento de 43%) e Japão (mais 17%).


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