Caçadores protestam em Ponta Delgada contra "passividade" na resposta a doença nos coelhos bravos

Caçadores protestam em Ponta Delgada contra "passividade" na resposta a doença nos coelhos bravos

 

AO/Lusa   Regional   22 de Fev de 2015, 18:58

Perto de duzentos caçadores de São Miguel participaram este domingo num protesto em Ponta Delgada contra aquilo que consideram ter sido "a passividade" das autoridades açorianas na resposta a uma doença nos coelhos bravos que se disseminou por sete ilhas.

 

O protesto foi organizado pelo Clube de Caçadores de Vila Franca do Campo, que apresentou em dezembro passado uma queixa-crime no Ministério Público contra desconhecidosm, quando este surto da Doença Hemorrágica Viral (DHV) foi identificado, na Graciosa, tendo entretanto alastrado a mais seis ilhas.

Os caçadores alegam que houve mão criminosa no aparecimento do vírus nos Açores, sublinhando que, tal como no passado, isso aconteceu numa altura em que havia grande densidade de coelhos nas pastagens.

"O objetivo deste protesto é dizer que os caçadores estão cansados", disse aos jornalistas o presidente do Clube de Caçadores de Vila Franca do Campo, José Maria Arruda, que sublinhou que já houve seis surtos deste vírus nos coelhos dos Açores desde 1989.

Os caçadores pedem desde essa altura "uma explicação", que nunca lhes foi dada e "nunca foi feito nada para que tentassem saber a origem disto", acrescentou.

José Maria Arruda anunciou que os caçadores estão a recolher assinaturas para entregar um documento no Parlamento regional dos Açores, ao representante da República para os Açores e ao Parlamento Europeu com que pretendem denunciar a "passividade" dos “governantes” regionais em relação ao "crime ambiental que foi cometido" na região.

O caçador sublinhou que "mais do que ninguém" percebe que a caça tenha sido proibida em sete ilhas dos Açores. No entanto, considera que a decisão foi tardia e que assim que foi identificado o surto na Graciosa, essa interdição deveria ter sido aplicada às restantes ilhas, de forma preventiva, assim como outras medidas, a nível do controlo dos portos e aeroportos, para evitar a disseminação.

A caça foi sendo proibida em sete ilhas de forma gradual, à medida que foram sendo referenciados coelhos mortos.

José Maria Arruda destacou que isso permitiu o transporte de cães de caça entre ilhas, por exemplo, o que ajudou a espalhar o vírus.

Por outro lado, questionou a aplicação de algumas medidas decretadas pelo executivo regional, dizendo ele próprio viajou no mês passado com um caixa de transporte de cães entre ilhas afetadas por este problema.

Os cerca de 200 caçadores que hoje desfilaram na avenida marginal de Ponta Delgada levaram consigo centenas de cães de caça, que constituem uma das suas maiores preocupações, uma vez que os animais não podem agora ser soltos em terrenos e áreas com recursos cinegéticos.

"Possivelmente, vamos passar a vir aqui para Ponta Delgada todos os domingos e sábados dar um passeio com os nossos animais", disse José Maria Arruda, que explicou que os cães são treinados para caçar e que está em causa o "bem-estar animal".

Segundo José Maria Arruda, existem 5.000 cães de caça na ilha de São Miguel e entre 2.200 e 2.300 caçadores.

O Governo Regional tem adotado nas ilhas afetadas por este problema "medidas preventivas" que assegura que têm tido resultados positivos no controlo da doença.

Na Graciosa, a primeira ilha onde foi detetado o problema, não são encontrados coelhos mortos desde o final de dezembro. O mesmo acontece na Terceira e nas Flores desde o dia 11 de fevereiro e em São Jorge desde o dia 02, segundo revelou o executivo açoriano na semana passada.

 


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