Bundesbank critica estratégia do BCE para relançar economia

Bundesbank critica estratégia do BCE para relançar economia

 

Lusa / AO online   Economia   21 de Set de 2014, 12:21

O governador do Bundesbank, Jens Weidmann, criticou hoje a estratégia do Banco Central Europeu (BCE) para tentar reanimar a economia, considerando que favorece os bancos às custas dos contribuintes.

 

Numa entrevista ao jornal alemão Der Spiegel que foi hoje publicada, o governador do banco central alemão criticou aquilo que disse ser "uma mudança de estratégia fundamental e uma mudança decisiva da política monetária do BCE", alertando que abre um precedente arriscado.

Jens Weidmann defendeu que a combinação de taxas de juro baixas com a injeção de liquidez no sistema financeiro através de empréstimos aos bancos, oficialmente para os encorajar a emprestar a condições interessantes, é uma injeção direta de dinheiro na economia.

O responsável criticou sobretudo o programa de recompra de títulos ABS (asset-backed securities), que são produtos financeiros criados sob o princípio da "titularização" e que permitem que os bancos transfiram para o comprador (que será o BCE) uma parte dos riscos de um eventual incumprimento dos credores.

O governador do Bundesbank afirmou ainda que os planos anunciados este mês pelo BCE para lançar um programa de compra de títulos ABS podem, "dependendo de como isso for criado", eliminar "os riscos dos bancos às custas dos contribuintes".

Os títulos ABS permitem a um banco transacionar os créditos que concedeu através de uma revenda. Esta prática, acusada de ser em parte responsável pela crise norte-americana do 'subprime' de 2008, foi largamente abandonada na Europa.

Estes títulos são compostos por créditos individuais (como créditos à habitação, automóvel e cartões de crédito) que são vendidos aos investidores, permitindo aos bancos partilharem o risco de incumprimento, o que encoraja as instituições bancárias a concederem mais crédito.

Alguns analistas acreditam que o lançamento deste programa é o primeiro passo para a aplicação de um conjunto de medidas de 'quantitative easing' (compra de títulos pelo banco central, permitindo baixar os juros e aumentar a liquidez) muito mais amplo, em que o banco central poderá comprar títulos soberanos em larga escala para injetar dinheiro na economia.

A 04 de setembro, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juro diretora para 0,05%, um novo mínimo histórico, e anunciou que vai lançar um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito e dinamizar a economia da zona euro.

O presidente do BCE, Mario Draghi, referiu na altura que o pacote de compra de ativos do banco central europeu inclui também créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da zona euro, mas não precisou o montante deste programa de compra de ativos, que deverá ser lançado a partir de outubro.

"Queremos garantir que estes títulos ABS [Asset-Backed Securities] vão servir para que o crédito chegue à economia real", afirmou.


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