Bruxelas admite crise económica na Zona euro


 

Lusa/AO online   Economia   18 de Dez de 2007, 11:23

A Comissão Europeia admitiu esta terça-feira que o aumento da inflação, a perda de confiança decorrente da turbulência nos mercados financeiros e o endurecimento das condições de crédito vão afectar o crescimento da zona euro.
     No seu relatório trimestral sobre a economia da zona euro, hoje publicado, o executivo da União europeia lembra que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro acelerou entre Julho e Setembro (mais 0,7 por cento face aos 0,3 por cento do segundo trimestre), impulsionado sobretudo pela procura interna.

    Mas prognostica um abrandamento nos próximos trimestres, em consequência, em grande medida, da deterioração dos mercados financeiros, cuja situação "continua frágil".

    A actividade continuará, no entanto, a ser suportada pelo crescimento "sólido" do emprego e os lucros das empresas não financeiras, ressalva a Comissão.

    "Na zona euro, há já alguns sinais de que a turbulência começou a afectar sectores não-financeiros da economia", observa no documento. "Uma crise mais profunda e mais prolongada poderia implicar perdas adicionais significativas em termos de crescimento económico", afirmam os economistas da CE.

    Assim sublinha que os bancos endureceram as condições de acesso ao financiamento para as entidades não financeiras e as famílias e que a confiança dos empresários e dos consumidores enfraqueceu significativamente desde o Verão.

    A inflação constitui outra fonte de preocupação para a Comissão embora qualifique de "surto temporária", a taxa de 3,1 por cento verificada em Novembro - a mais alta desde Dezembro de 2001, sob pressão do aumento dos preços do petróleo e dos produtos alimentares.

    Bruxelas sublinha, aliás, que a inflação nunca foi tão baixa e estável como desde a implementação do euro. Lembra a este respeito que, na década de 70, a inflação média nos países da moeda única chegou aos 9 por cento na sequência da crise do petróleo.

    O relatório da Comissão sublinha ainda as melhorias introduzidas no mercado de trabalho que contribuíram para tornar o emprego mais atractivo, como a introdução de critérios mais estritos para beneficiar de subsídios de desemprego e as políticas de reintegração na vida activa dos desempregados.

    Segundo o executivo da UE, o êxito das reformas neste sector traduziu-se na diminuição significativa do desemprego na zona euro, que passou de 11 por cento em 1994 para um pouco mais de 7 por cento actualmente.

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