Bolo lêvedo dos Açores vai ser classificado para evitar falsificações

Bolo lêvedo dos Açores vai ser classificado para evitar falsificações

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Mar de 2016, 11:24

O fabricante de bolos lêvedos dos Açores Luís Quental disse hoje que se está a trabalhar na classificação Indicação Geográfica Protegida (IGP) para combater a falsificação do produto na região e no continente.

“Há pessoas a produzir bolos lêvedos em várias ilhas dos Açores (incluindo São Miguel) e também no continente que apenas têm o nome, comprando o consumidor gato por lebre”, denunciou à agência Lusa o empresário.

O bolo lêvedo, de formato redondo, é produzido com farinha, ovos, açúcar, manteiga, leite, fermento e sal, tendo origem nas Furnas, na ilha de São Miguel.

Este responsável por uma das padarias de bolos lêvedos da localidade afirmou que já teve clientes “verdadeiramente indignados com o facto”, tendo até trazido “uma embalagem produzida no continente em que se pode ler ‘Bolos lêvedos dos Açores’”.

“Induz o consumidor em erro, porque, na realidade, não são produzidos cá”, afirmou.

Luís Quental referiu que a sua empresa tem “colaborado ativamente” com o Centro Regional de Apoio ao Artesanato dos Açores, que é a entidade classificadora, estando em curso um processo de denominação IGP que visa, “exatamente, separar o trigo do joio” e “assegurar a qualidade e autenticidade” dos bolos lêvedos das Furnas.

O empresário revelou que tem em curso, este verão, a abertura de um novo espaço nas Furnas, acrescentando que se reestruturou a atual fábrica para se poder “responder ao desafio que este novo estabelecimento colocará”.

“Será um espaço para as pessoas degustarem o bolo lêvedo e visa prestar um serviço que é muito requerido, mas que não nos é possível oferecer na nossa fábrica. Este projeto pretende também dar ainda mais notoriedade ao nosso produto e ter um espaço numa zona nobre da freguesia que confira a maior dignidade e prestígio possível ao genuíno bolo lêvedo das Furnas”, declarou o responsável.

Hélder Moniz, da empresa de panificação Glória Moniz, adiantou à agência Lusa que, além da procura interna, nos últimos anos, na sequência da liberalização do mercado aéreo “tem-se notado um aumento no número de clientes diariamente”.

“Pretendemos aumentar futuramente as nossas instalações, tanto para poder incrementar a produção do bolo lêvedo, como de outros produtos”, afirmou o empresário, que está a considerar uma “possível exportação”.

De acordo com Hélder Moniz, na época baixa, designadamente entre outubro e março de 2015, a empresa de panificação Glória Moniz vendeu, por semana, 2100 bolos lêvedos, contra cerca de 1.400 em igual período de 2014.

Na denominada época alta em 2015, de abril a setembro, foram vendidos cerca de 5200 bolos por semana, enquanto no período homólogo de 2014 foram comercializados cerca de 4000 unidades.

Não se conhece com rigor a origem do bolo lêvedo, mas este ganhou dimensão comercial com o surgimento do hotel Terra Nostra, nos anos 30 do século XX.

O hotel das Furnas serve atualmente o bolo lêvedo aos clientes ao pequeno-almoço, sendo fornecido há cerca de 20 anos pela padaria de Maria Glória Moniz, que herdou a receita de Maria do Carmo, da família de apelido Panelas.

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