Bióloga portuguesa descobre duas espécies únicas no mundo


 

Lusa / AO online   Nacional   1 de Dez de 2010, 12:41

Duas novas espécies únicas no mundo, um pseudoescorpião e um escaravelho cavernícolas, foram descobertas pela bióloga portuguesa Sofia Reboleira em grutas do Algarve e do Montejunto.

“É uma descoberta absolutamente fascinante” disse à Lusa a bióloga que fez a descoberta do pseudoescorpião considerado “uma relíquia” por ser um dos exemplares “mais modificados ao longo de milhões de anos em que se adaptaram para viver debaixo de terra”.

Sem antecessores vivos à superfície, o pseudoescorpião de cerca de dois centímetros, que só existe nas grutas do Algarve, é apontado como “um gigante” já que o tamanho destes animais oscila, normalmente, entre um e cinco milímetros, explica a bióloga.

A descoberta, que confere um maior grau de interesse à fauna cavernícola portuguesa, revela “informação evolutiva importante” já que o pseudoescorpião evoluiu para características como “não ter olhos, ter patas grandes, e um extremo alargamento das pinças”, acrescenta Sofia Reboleira.

Publicada há duas semanas em revistas científicas especializadas em zoologia - Zootaxa - a descoberta de Sofia Reboleira (descrita com Juan Zaragoza) sucede a outra publicada na sexta feira, e que oficializa a descoberta de uma nova espécie de escaravelho cavernícola encontrado nas grutas do Montejunto (Cadaval).

Denominado “Trechus Tatai” o escaravelho descoberto por Sofia Reboleira e descrito por Vicente Ortuño (da Universidade de Alcalá, em Madrid) aumenta para quatro o número de espécies de escaravelhos cavernícolas (três dos quais descobertos pela bióloga).

“Vive exclusivamente ali, é despigmentado e tem os olhos muito reduzidos” descreve Sofia Reboleira, sublinhando a raridade do escaravelho cuja sobrevivência depende da matéria orgânica arrastada pelas águas para o subsolo e para o qual “a poluição e destruição de grutas significa perigo de extinção”.

A descoberta das duas espécies ocorreu durante o trabalho de campo no âmbito do doutoramento de Sofia Reboleira, orientado por Fernando Gonçalves (do departamento de biologia da Universidade de Aveiro) e Pedro Oromí (faculdade de biologia da Universidade de La Laguna, em Tenerife, Espanha).

O trabalho foi financiado pela Fundação Para a Ciência e Tecnologia da qual Sofia Reboleira é bolseira há dois anos e meio.


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