Bermudas afasta expulsão de filhos de emigrantes portugueses


 

Lusa/AO online   Regional   27 de Set de 2017, 11:35

A ameaça de expulsão de filhos de emigrantes portugueses nas Bermudas está afastada pelo governo local, disse à Lusa um dirigente associativo, salientando que a nova legislação protege a comunidade.

Em causa está a situação dos filhos dos emigrantes portugueses, a maior parte oriundos dos Açores, que poderiam ser expulsos caso estivessem desempregados ou não estivessem a estudar.

“O governo chegou à conclusão que não fazia muito sentido essa situação”, disse à Lusa o presidente do Clube Vasco da Gama, Hugo Pereira, referindo-se à ameaça de expulsão de portugueses feita em 2013.

“Há jovens que não conhecem outro sítio se não as Bermudas. Conhecem os Açores e Portugal mas só de visita, nunca viveram lá”, acrescentou.

O presidente do clube explicou que, atualmente, “muita gente já começou a ser regularizada” com um visto que permite aos emigrantes “viver e trabalhar” nas Bermudas "sem contratos de trabalho”.

O caso remonta a julho de 2013, quando o governo das Bermudas avisou que os filhos de emigrantes que atingissem a maioridade deixariam de estar abrangidos pelo título de residência permanente dos progenitores.

No entanto, os jovens estariam protegidos se continuassem os estudos, na Universidade, ou se tivessem um contrato de trabalho. Caso contrário, poderiam ser deportados.

“Passados estes quatro anos não veio ninguém por lhe ter sido negada a autorização”, disse à Lusa o diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, Paulo Teves.

Segundo o responsável, ao atingir os 18 anos, os jovens que não estejam a frequentar a universidade “deixam de estar sob o estatuto dos pais” mas, caso desejem continuar a residir nas Bermudas, podem “solicitar uma autorização de residência” no departamento de imigração das bermudas.

Paulo Teves salientou que este é um processo que acontece “naturalmente”, uma vez que muitos dos jovens “nasceram lá ou foram para lá ainda em crianças”.

Segundo o dirigente do Clube Vasco da Gama, a contratação laboral beneficia os locais: quando existe uma vaga de emprego, antes de ser entregue a um imigrante, deve ser primeiro anunciada nos jornais locais e num portal do governo. E só no caso de ninguém responder ao pedido é que se “dá oportunidade à pessoa de fora de ser chamada”.

Aí entra em ação do governo dos Açores, explicou o responsável regional das comunidades. A proposta de contrato de trabalho “vem diretamente do departamento de imigração (das Bermudas) para a direção regional das comunidades” dos Açores, onde são verificadas as condições do contrato. Se o trabalhador concordar, “é-lhe concedido o visto”.

No contrato já consta o local onde o trabalhador vai residir, seja numa casa particular ou num espaço alugado, uma vez que não lhe é permitido comprar ou construir casa.

“As Bermudas têm muitas limitações a nível territorial devido ao espaço geográfico, que é pequeno e muito limitado”, justificou Paulo Teves, acrescentando que a possibilidade de comprar ou construir casa está relacionada com o número de anos que se reside lá.

A emigração açoriana para as Bermudas tem origem em 1849, altura em que o arquipélago necessitava de pessoas com experiência em agricultura em ilhas. Trabalhos em jardinagem, construção civil ou carpintaria eram os que tinham mais procura.

Entre 1960 e 2016 emigraram para as Bermudas 8.499 açorianos, maioritariamente da ilha de S. Miguel, indicou Paulo Teves.

O dirigente da associação de emigrantes acrescentou que mais de 90% da população estrangeira desse território britânico tem origem açoriana.

O Clube Vasco da Gama é um clube de futebol das Bermudas com origem portuguesa e “um ponto de encontro” para a comunidade portuguesa em Hamilton, a capital do arquipélago, sublinhou o Presidente.



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