Benefícios da alimentação biológica atraem cada vez mais consumidores

 Benefícios da alimentação biológica atraem cada vez mais consumidores

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   20 de Fev de 2017, 10:45

A importância da alimentação biológica está cada vez mais presente na sociedade e quem o diz são os comerciantes deste tipo de produtos, que procuram diversificar a oferta para atender às necessidades dos consumidores.

 

Aberto há cerca de um ano, o Biomercado, no Saldanha, em Lisboa, alia a vertente de supermercado com a de restaurante, uma ideia inovadora que, segundo o diretor do espaço, Pedro Lobo do Vale, "tem atraído muita gente".

"A primeira adesão foi pela grande curiosidade. As pessoas queriam perceber se gostavam ou não e hoje temos clientes semanais e outros que até vêm todos os dias, até pelo restaurante. Nota-se que as pessoas gostam do espaço", afirmou.

Pedro Lobo do Vale sublinhou também que a ideia de que os produtos biológicos são muito mais caros não corresponde bem à realidade.

"As pessoas assustam-se muito com o preço dos produtos biológicos, mas não é tanto assim. Há casos em que nem há diferença nenhuma, sobretudo nos produtos hortícolas. Hoje em dia os preços são muito similares e até dentro dos produtos biológicos, há também aqueles mais acessíveis a todas as bolsas", frisou.

A ausência de químicos nos produtos da terra, recorrendo-se a uma agricultura sustentável, e a ausência de hormonas ou vestígios de antibióticos nos animais são apontados como os principais benefícios do consumo biológico e, por isso, Pedro Lobo do Vale defende que "a concorrência honesta é saudável".

Quanto ao Plano Nacional de Agricultura Biológica, proposto pelo Governo, o responsável considera que "tudo o que seja fomentar uma alimentação com menos químicos, mais genuína, é extremamente saudável".

Também o diretor-geral da cadeia de supermercados Brio, António Alvelos, concordou que as pessoas estão cada vez mais preocupadas em manter um estilo de vida com saúde e sobretudo em manter uma alimentação que seja sustentável.

"Cada vez mais os consumidores demonstram preocupação com os possíveis efeitos colaterais causados pela alimentação, como sejam a doença das vacas loucas, a gripe das aves, os alimentos geneticamente modificados, ou o malefício dos pesticidas e antibióticos. Neste sentido, a procura por uma alternativa tem sem dúvida aumentado, levando ao crescimento do consumo de produtos biológicos", sustentou.

O diretor da conhecida cadeia de supermercados reconheceu que "o preço é ainda um dos principais fatores que afastam algumas pessoas", embora constate que "dão mais valor à qualidade em determinados produtos".

"Habitualmente, os novos consumidores biológicos começam pelas frutas e legumes e vão depois lentamente entrando noutras famílias e experimentando novos produtos. O que notamos é que nos dias de hoje esse processo é muito mais rápido. As pessoas, cada vez mais, prezam a qualidade de vida que, neste caso, pode ser melhorada ao consumir biológico, e para isso estão dispostas a pagar um valor mais elevado", acrescentou.

O Brio, segundo António Alvelos, registou um considerável crescimento nos últimos três anos e vê a concorrência de lojas especializadas "muito saudável para o negócio e para continuar a expandir o conceito biológico".

Sob o mesmo princípio, João Henriques dedica-se há três anos à Biovivos, "superalimentos vivos, biológicos e sustentáveis", produzidos na sua estufa, em Carnaxide, num sistema de cultivo eficiente com painéis solares e, sempre que possível, com entregas em bicicleta.

"Desde 2003 que desenvolvo sistemas de agricultura e durante dez anos ninguém conhecia os termos, pareciam ideias utópicas, mas desde 2014, que foi o ano internacional da agricultura familiar, parece que tudo isto fez sentido e aquilo que eram ideias loucas no passado passaram a fazer ideias muito coerentes", sustentou.

Apesar de reconhecer que a sociedade tem cada vez mais presente os valores sustentáveis da alimentação, João Henriques alertou para a necessidade de mudar "o sistema mental" e procurar "alimentos mais locais e que tiveram o menor impacto no planeta, eliminando o consumo de carne, laticínios e açúcar, sobretudo".

"O que eu quero comer é comida sem veneno e barata e isto devia ser acessível a toda a gente", acrescentou.

Já com uma lista superior a 15 restaurantes, os Biovivos (erva trigo, de ervilha e de girassol) são entregues ao domicílio, em todo o país, para muitos atletas preocupados com uma alimentação saudável, mas também para atender doentes oncológicos.


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