BE quer referendo local sobre incineradora em São Miguel

BE quer referendo local sobre incineradora em São Miguel

 

Lusa/AO online   Regional   21 de Nov de 2016, 16:19

O coordenador da Comissão de Ilha de São Miguel do Bloco de Esquerda (BE) defendeu a realização de um referendo local para que a população se pronuncie sobre o futuro da incineradora de resíduos na ilha.

 

"O BE desafia a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) a suspender o processo que está em curso, hipótese já admitida pelo seu presidente, e dar voz aos açorianos e açorianas sobre o caminho a seguir", disse António Lima, em conferência de imprensa em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

O dirigente afirmou que os bloquistas, "desde a primeira hora", manifestaram a sua "posição contrária" à opção pela incineração nos Açores, por considerarem que "não responde às necessidades de aumentos de taxas de reciclagem" que a região está obrigada a cumprir.

António Lima acrescentou que esta solução é "muito duvidosa em termos de sustentabilidade económica", além de "colocar em risco a saúde pública.

O responsável referiu que o BE, nas assembleias municipais de Ponta Delgada e Ribeira Grande, onde está representado, apresentou propostas para ser feito o referendo local, mas ambas foram chumbadas pelo PS e PSD, em 2014.

O presidente do conselho de administração da AMISM anunciou no dia 10 que foi decidido repensar o processo de construção da incineradora de resíduos, cujo concurso público ainda decorre.

"A experiência da construção da incineradora na ilha Terceira mostra-nos que estes projetos estão claramente sobredimensionados devido à necessidade de queimas de combustível ou de importar lixo para manter a incineradora em funcionamento, o que demonstra a insustentabilidade económica desta opção", declarou o dirigente.

António Lima sublinhou, ainda, que se o presidente da AMISM reconheceu que o futuro da incineradora depende da construção de uma central hidroelétrica reversível, não se deve avançar sem que haja uma decisão por parte da Empresa de Eletricidade dos Açores, responsável pelo projeto.

O responsável entende ser necessário repensar todo o projeto e referiu que se o PS não quer ouvir as pessoas "é porque tem medo de não conseguir justificar esta solução" ou porque "está a tentar esconder alguma coisa".

António Lima declarou que existem alternativas no país como as centrais TMB (Tratamento Mecânico e Biológico), "não se podendo descurar nenhuma alternativa".

Questionado sobre a solução apontada pela associação ambientalista Quercus, que sustenta a instalação de uma TMB com uma pequena incineradora a jusante, no final do processo, o dirigente do BE afirmou que "seria uma solução" que o partido poderia aceitar, "mas tem de ser justificada com um estudo".


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