BE diz que Portugal não pode ficar preso a promessas dos EUA

BE diz que Portugal não pode ficar preso a promessas dos EUA

 

Lusa/AO online   Regional   19 de Jul de 2017, 11:29

A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou que Portugal não pode ficar à espera das promessas dos congressistas dos Estados Unidos sobre a base das Lajes e que deve avançar com alternativas ao uso militar da infraestrutura.

"O Governo Regional e o Governo da República têm sido pouco claros em relação ao que vai acontecer à base das Lajes, sempre na esperança que um destes projetos que todos os dias são prometidos venha a concretizar-se. Nenhum dos projetos foi concretizado por uma razão simples: os americanos vão embora da base das Lajes, como está à vista pela redução que fizeram de pessoal nos últimos anos", adiantou.

A líder bloquista falava, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita ao campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, na ilha Terceira, depois de também se ter reunido com o autarca da Praia da Vitória, onde está localizada a base das Lajes, e com a Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses da infraestrutura.

A proposta de orçamento de Defesa norte-americano, que o Senado deve votar ainda este mês, pede que a Secretaria de Defesa indique o custo de transformar a base das Lajes num campo para exercícios de guerra aéreos e subaquáticos.

Questionada sobre esta iniciativa, Catarina Martins lembrou que em anos anteriores também foi proposta a criação de um centro de inteligência e de um campo de treinos de caças, que não se chegaram a concretizar.

"Há congressistas norte-americanos cuja base eleitoral de apoio é a população luso-descendente com origem nos Açores e para apelar a essa base eleitoral, normalmente, dizem que têm mais um projeto, um projeto que nunca se verifica", salientou.

Para Catarina Martins, Portugal tem de exigir aos norte-americanos compensações pelos danos ambientais provocados e encontrar um projeto económico diferente para o desenvolvimento da ilha Terceira.

"É um desperdício abandonarem-se todas as ideias à espera que os americanos façam alguma coisa. Um dos projeto que existe, e que acaba por nunca ser afirmado claramente, é o projeto de fazer aqui um polo de investigação científica ligada à aeronáutica, que não seria incompatível com o uso civil da pista", apontou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu que Portugal deve exigir uma indemnização aos norte-americanos, mas antes deve encomendar ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a quantificação de todos os danos ambientais, não apenas dos aquíferos, mas também dos solos.

"À semelhança do que foi feito noutros países de que as bases americanas saíram, têm de ressarcir a ilha sobre os danos causados e isto significa ressarcir danos ambientais, regeneração urbana das partes que utilizaram da Praia da Vitória e que hoje estão abandonadas e naturalmente compensações também que dizem respeito ao emprego, que é destruído, e à necessidade de criação de um projeto económico", frisou.

Catarina Martins lembrou ainda que foi aprovado por unanimidade na Assembleia da República um projeto de resolução sobre a requalificação ambiental, que "previa que o Governo português pedisse aos americanos indemnização para os custos desse processo, o que ainda não foi feito".

"Conseguimos já que o Governo da República pagasse parte da limpeza que está a ser feita, porque dantes recaía tudo sobre a região e o município, que não tinham meios para o fazer, mas na verdade falta fazer muito mais e portanto vai ser preciso não só a solidariedade do Governo da República, mas exigir aos americanos que paguem o que devem", sublinhou.

Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, assinaram rescisão por mútuo acordo, com direito a reforma e indemnização, cerca de 450 funcionários portugueses da base das Lajes e o efetivo militar norte-americano tem vindo a registar uma redução gradual, prevendo-se que se fixe em 165.


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