BE diz que descida do desemprego nos Açores é "uma máscara"

BE diz que descida do desemprego nos Açores é "uma máscara"

 

LUSA/AO online   Regional   7 de Jul de 2015, 17:32

O BE/Açores considerou hoje que a descida do desemprego na região é "uma máscara" e que "a pobreza alastra" no arquipélago, num debate parlamentar em que o Governo Regional destacou a melhoria dos indicadores socioeconómicos no último ano

"Temos uma situação em que a diminuição do desemprego é uma máscara, o emprego novo é de pobreza, mesmo a tempo completo, quanto mais a tempo parcial", disse a deputada do Bloco de Esquerda (BE) no parlamento dos Açores, Zuraida Soares.

Por iniciativa do BE, o parlamento dos Açores fez hoje uma interpelação ao governo açoriano sobre a situação económica e social da região, num debate em que Zuraida Soares considerou uma "mistificação" e "ilusionismo" a baixa do desemprego nos Açores e o crescimento da atividade económica, assim como declarações recentes de membros do executivo.

Zuraida Soares considerou que por trás desses números e das políticas seguidas nos Açores está "o adiar de vidas", a emigração, "a pobreza para quem trabalha e a miséria para quem procura fazê-lo", e destacou, entre outras coisas, os programas ocupacionais para desempregados "e a sua perpetuação".

A deputada afirmou ainda que enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) açoriano aumenta, "simultaneamente, a pobreza alastra", condenando a opção por um modelo económico "assente" em baixos salários e na precariedade laboral.

Na resposta, o vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, disse que o BE "não conseguiu arranjar" um indicador económico e social "que tivesse piorado ao longo do último ano" e sublinhou que Zuraida Soares ignorou todos os indicadores que ainda há um ano usava, tal como a restante oposição, como "arma de arremesso" contra o executivo.

Sérgio Ávila enumerou a evolução dos números do emprego e outros indicadores da atividade económica para sublinhar a melhoria da situação na região no último ano e enfatizou que ainda na semana passada os parceiros sociais foram unânimes na mesma leitura.

"Podíamos vir aqui hoje com um discurso eufórico com estes resultados. Mas não são estes resultados o nosso objetivo final. A nossa força e a nossa energia é para aquilo que falta fazer", afirmou, ressalvando que há "muitos problemas que ainda se colocam" à região e que o executivo considera que a taxa de desemprego continua a ser "muito elevada".

A restante oposição (PSD, CDS-PP, PCP e PPM) considerou que a análise que é preciso fazer não pode ser "meramente conjuntural", mas dos 18 anos que o PS já leva à frente do Governo dos Açores.

O deputado do PSD João Bruto da Costa destacou que os Açores estão "na cauda do país" na generalidade dos indicadores sociais e tem "o maior índice de desigualdade".

Graça Silveira, do CDS-PP, considerou que os sucessivos governos socialistas não conseguiram criar uma "economia dinâmica" e um "nível de vida uniforme" em toda a região, não havendo criação de "emprego efetivo" e sendo completa a dependência dos subsídios públicos.

Aníbal Pires, do PCP, referiu que se há indicadores a melhorar não é pelas "grandes opções" do Governo Regional, que se mantêm as mesmas há anos e insistem "no erro" de manter os salários baixos e canalizar recursos para o apoio às empresas.

Paulo Estêvão, do PPM, disse que os Açores são "a Grécia do atlântico norte", por ter "problemas estruturais tão graves" como aquele país e por, após duas décadas no executivo, o PS não ter feito as "reformas necessárias" para os resolver, tendo antes optado por "um modelo que eterniza a pobreza".

O deputado do PS André Bradford considerou que como "a situação económica e social da região está melhor", os partidos da oposição preferiram não falar do presente.

O próprio presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, participou no debate, para criticar o PSD, a quem acusou de "só olhar para trás" e apenas "falar mal", sendo um partido incapaz de apresentar soluções e que considera que "é a economia que tem de resolver os problemas sociais".

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