BE critica suspensão de pesca do goraz nos Açores sem compensação para os pescadores

BE critica suspensão de pesca do goraz nos Açores sem compensação para os pescadores

 

Lusa/AO Online   Regional   24 de Jul de 2015, 19:09

A coordenadora do Bloco de Esquerda nos Açores, Lúcia Arruda, criticou o Governo Regional por ter suspendido a pesca do goraz na região durante 15 dias sem assegurar compensações para os pescadores.

 

"Nós não percebemos por que é que o Governo Regional atira para o subsídio de desemprego mil trabalhadores que dependem desta pescaria, sem os compensar", lamentou Lúcia Arruda, que falava aos jornalistas durante uma visita ao porto de pescas de Rabo de Peixe, ilha de São Miguel.

No seu entender, o Governo dos Açores devia ter requerido à União Europeia um subsídio para compensar os pescadores nesta paralisação, idêntico aos que são aplicados para os períodos de defeso das pescarias no resto da Europa.

"Porque será que o Governo Regional não requereu esse apoio? Será porque não quer dizer à União Europeia que geriu mal a quota do goraz e agora teve de fazer um período de defeso de 15 dias?", questionou a dirigente do BE.

Lúcia Arruda lembrou que a União Europeia tem um fundo para compensar os pescadores por paragem da pesca devido a razões biológicas, ao qual o Governo da República está a recorrer neste momento.

A coordenadora regional dos bloquistas defende que, em alternativa ao fundo da União Europeia, o Governo Regional acione o Fundo de Emergência Social para compensar os pescadores.

"Não pode é continuar a dar aos pescadores a escolher entre sustentabilidade de recursos e pão na mesa", afirmou Lúcia Arruda, para quem esta paragem obrigatória da pesca do goraz, que vigora entre 15 e 31 de julho, além de "injusta", é também "ilegal".

o Governo dos Açores interditou a pesca do goraz durante duas semanas por jé ter sido atingida 70% da quota deste ano destinada ao arquipélago.

O objetivo do executivo foi reservar quota para outra época do ano, quando o goraz tem maior valor comercial, e assim tentar aumentar o rendimento que os pescadores podem ter com a captura que lhes é permitida desta espécie.

O executivo açoriano já disse discordar do pedido de subsídios para compensar a paragem na pescaria do goraz, argumentando que a região não pode contestar a redução da quota em Bruxelas e depois pedir subsídios para os pescadores, que são atribuídos por razões biológicas, que os Açores não têm e negam junto da UE.

O secretário regional com a tutela das Pescas, Brito e Abreu, também já sublinhou que a interdição da captura do goraz não significa uma suspensão de toda a pesca, lembrando que, todos os anos, são preenchidas quotas de determinadas espécies e os pescadores continuam a trabalhar, evitando alguns peixes e direcionando as suas artes para as espécies que podem apanhar.

No final do ano passado, a União Europeia decidiu cortar a quota do goraz destinada aos Açores em 2015 em 25% e a de 2016 em outors 25%.

Entretanto, a 17 de julho, foi anunciado que a quota de pesca do goraz vai aumentar este ano nos Açores em 101 toneladas, passando para 869 toneladas.

Brito e Abreu alertou nesse dia que, contudo, a quota continua a ser "restritiva", o que poderá obrigar a uma nova paralisação da pesca, eventualmente em outubro.

 


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