BE alerta para riscos de uma privatização da EDA

BE alerta para riscos de uma privatização da EDA

 

Lusa/AO online   Regional   11 de Set de 2012, 15:01

O BE alertou hoje para os "riscos" de uma eventual privatização da Eletricidade dos Açores (EDA) para trabalhadores e consumidores, mas também para o futuro das contas públicas regionais, considerando que seria como "ir ao bolso de todos"

"Peço aos açorianos que estejam muito atentos ao que se vai passar com esta empresa, ao que está escrito, preto no branco, no diagnóstico da Inspeção Geral de Finanças (IGF), à intenção do Governo Regional de privatizar uma empresa que lida com um bem público", afirmou Zuraida Soares, coordenadora regional do BE/Açores, em declarações aos jornalistas.

Zuraida Soares, que falava em Ponta Delgada no final de uma reunião com a Comissão de Trabalhadores da EDA, defendeu que está em causa “uma empresa estratégica na região, considerada a mais sólida e mais rentável”, acrescentando que o projeto de privatização da empresa, de “acordo com o diagnóstico recente da IGF, está muito adiantado em termos de intenção e prospeção do mercado”.

“O que vai acontecer com uma privatização? Em termos de trabalhadores, imediatamente vai haver despedimentos e, do ponto de vista do consumidor, não vai diminuir tarifários, mas aumentar”, afirmou.

“Aquilo que agora tem um custo em termos de produção e distribuição de energia, como empresa privada terá um custo diferente. É ir ao bolso de todos nós”, frisou Zuraida Soares, para quem o executivo “tem que clarificar o estatuto da empresa”, já que a EDA “continua no limbo, um dia é pública e no outro é privada”.

“Quando é em termos de horários de trabalho e de aumentos salariais, os trabalhadores não usufruem destes direitos porque não são públicos, mas quando é para serem espoliados dos seus subsídios de férias e Natal já são públicos”, afirmou, considerando que estão a ser “tirados” direitos aos trabalhadores para “entregar dividendos limpinhos de impostos a grupos privados”.

Zuraida Soares levantou a questão da privatização da EDA há cerca de uma semana, na sessão plenária da Assembleia Legislativa dos Açores, altura em que o vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, assegurou que não existe intenção de privatizar a empresa.

Na altura, Sérgio Ávila admitiu que o executivo pediu uma avaliação da EDA, mas frisou que esse é um comportamento “feito periodicamente nas empresas públicas regionais”.

“Solicitamos a avaliação do valor real de mercado para ter em conta na definição do património da região”, afirmou.


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