BE acusa Passos de usar "meias verdades"para "vender uma grande mentira"


 

Lusa/AO Online   Nacional   26 de Dez de 2014, 05:39

O Bloco de Esquerda (BE) acusou o primeiro-ministro de usar "meias-verdades" para "vender uma grande mentira", considerando que 2015 será um ano sem "nuvens negras" se se afastar "a maior nuvem negra do país que é a austeridade".

 

"Todos nós gostaríamos de viver no país descrito por Pedro Passos Coelho. Se alguém souber onde fica esse país, nós também gostaríamos de saber. É pena que o primeiro-ministro tenha falado dele, mas não tenha indicado onde fica. Passos Coelho utilizou o recurso a meias verdades para continuar a vender-nos uma grande mentira", disse a eurodeputada Marisa Matias numa declaração hoje na sede do Bloco de Esquerda, em Lisboa, em reação à mensagem de Natal do primeiro-ministro.

Uma das "meias verdades" enumeradas por Marisa Matias foi o facto de Passos Coelho ter dito que Portugal "vai começar a ver o aumento do poder de compra das famílias em 2015 e que isso é ilustrado pela reforma do IRS [Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares]".

Para a bloquista, o importante é "aquilo que o primeiro-ministro não refere", destacando que, "neste mesmo ano de 2015, 300 milhões de euros serão retirados dos abonos de família".

Também a criação de postos de trabalho de que o primeiro-ministro falou é contestada por Marisa Matias, que considerou que "houve muito mais destruição de postos de trabalho do que criação" e que "houve 130.000 portugueses que tiveram de abandonar o país a cada ano que passou desde que este Governo está em exercício".

A eurodeputada do BE falou também do fim do programa de resgate que Pedro Passos Coelho recordou na sua mensagem de Natal, apontando Marisa Matias que "a 'troika' não saiu, a austeridade continua e a prova disso é que nem a Comissão Europeia reconhece o esforço que foi feito porque nenhuma das metas foi cumprida".

O primeiro-ministro afirmou hoje, na sua tradicional mensagem de Natal, que este será o primeiro Natal desde há muitos anos em que Portugal tem um horizonte aberto, sem acumulação de "nuvens negras", advertindo, no entanto, que importa proteger aquilo que foi conseguido com sacrifício.

"Se 2015 vai ser um ano sem nuvens negras? Eu diria que sim, no caso de conseguirmos afastar a maior nuvem negra deste país que é a da austeridade, encabeçada por este Governo PSD/CDS", rematou Marisa Matias, considerando que "o mais positivo desta mensagem de Natal é que foi a última mensagem de Natal do primeiro-ministro".



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